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Administração de Trump quer deixar de impor cálculos de carbono às indústrias poluentes
Governo norte-americano quer reverter programa que exige aos principais poluidores dos EUA reportarem anualmente as suas emissões anuais de gases com efeito de estufa. Cientistas alertam para risco da falta de dados para responsabilizar o país.
15 Set 2025 - 09:39
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O Governo norte-americano anunciou que pretende reverter a exigência às indústrias mais poluentes dos EUA, incluindo o setor petrolífero, na forma como calculam as suas emissões de gases com efeito de estufa (GEE).
“O programa de relatórios de gases com efeito de estufa não é mais do que uma formalidade administrativa que não contribui em nada para melhorar a qualidade do ar”, destacou Lee Zeldin, responsável da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês), em comunicado, destacando a poupança de custos para as empresas que a eliminação da norma geraria.
Desde 2010, este programa exige que os principais poluidores dos EUA, incluindo as indústrias de combustíveis fósseis, calculem e reportem as suas emissões anuais de gases com efeito de estufa, incluindo metano e CO2, às autoridades, que são depois tornadas públicas.
Esta é “informação essencial para os decisores políticos, cientistas, investidores e público”, alertou na primavera o senador democrata Sheldon Whitehouse, um dos políticos eleitos dos EUA mais expressivos em matéria climática.
A confirmar-se esta medida, a maioria dos setores poluentes deixará de estar obrigado a reportar as suas emissões.
E as restantes indústrias, obrigadas pela abrangente lei climática IRA, do ex-presidente democrata Joe Biden, a reportar as suas emissões de metano, beneficiarão de uma isenção até 2034.
“Mais uma vez, este governo está a tentar ocultar os dados para mascarar os danos”, frisou à agência France-Presse (AFP) Julie McNamara, da Union of Concerned Scientists.
“Se não conseguimos saber o que uma empresa está a fazer, não podemos responsabilizá-la”, insistiu.
A medida deverá também complicar o cálculo das emissões totais de gases com efeito de estufa do país, o segundo maior emissor do mundo, a seguir à China.
Desde que regressou ao poder, Donald Trump, cuja campanha foi parcialmente financiada pela indústria petrolífera, recuou no combate às alterações climáticas, desfazendo as regulamentações ambientais e multiplicando as medidas para facilitar a produção de petróleo e gás nos Estados Unidos.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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