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AIE quer adaptação do mercado de eletricidade para acompanhar necessidades crescentes do sistema

Novo relatório indica que mecanismos como regimes de remuneração de capacidade e programas de apoio às energias renováveis têm desempenhado um papel significativo no avanço de investimentos e objetivos políticos, mas também contribuíram para ineficiências no sistema e custos mais elevados.

26 Nov 2025 - 11:28

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Foto: Freepik

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Os modelos de mercado de eletricidade devem evoluir para acompanhar as necessidades crescentes do sistema, defende a Agência Internacional de Energia (AIE) num novo relatório, divulgado nesta quarta-feira, que analisa como políticas específicas podem apoiar os mercados grossistas em várias regiões e enfrentar desafios comuns.

Segundo a análise, mercados de eletricidade bem estruturados podem ser uma ferramenta eficiente para equilibrar a oferta e a procura, coordenar decisões operacionais e sinalizar necessidades de investimento. “À medida que os sistemas elétricos se transformam para acomodar uma gama mais ampla de tecnologias e uma procura crescente de eletricidade, modelos de mercado eficazes, que assegurem operações seguras e investimento atempado, tornam-se essenciais”, refere a AIE na nota divulgada.

O relatório “Conceção do mercado da eletricidade: aproveitar os pontos fortes, colmatar as lacunas” analisa o desempenho dos modelos de mercado grossista e das políticas que os complementam na Europa, nos Estados Unidos, no Japão e na Austrália, e fornece orientações sobre como estes podem adaptar-se às necessidades em transformação dos sistemas. Conclui que, embora os mercados de curto prazo tenham tido bom desempenho no apoio a um despacho eficiente e seguro da eletricidade, os mercados de longo prazo têm sido menos eficazes em responder às necessidades de investimento e de gestão de risco.

Segundo a AIE, mecanismos complementares, como regimes de remuneração de capacidade e programas de apoio às energias renováveis, têm desempenhado um papel significativo no avanço de investimentos e objetivos políticos, mas em alguns casos o seu desenho contribuiu para ineficiências no sistema e custos mais elevados.

Sistema funciona “de forma segura”

Neste relatório a agência indica também que a eletricidade foi fornecida de forma segura mais de 99,9% do tempo nos últimos cinco anos. “Os mercados de curto prazo têm sido amplamente eficazes na manutenção de operações fiáveis e eficientes, mesmo com a crescente complexidade dos sistemas. Têm permitido um planeamento eficiente, uma formação transparente de preços e uma participação alargada de um conjunto diverso de recursos e atores”, refere a AIE.

Na Europa, por exemplo, o mercado diário processa mais de 400 mil ofertas por hora, envolvendo milhares de atores registados.

No que respeita aos mercados de longo prazo, estes apresentam baixa liquidez na maioria das regiões analisadas. “Isto limita a capacidade de os participantes encontrarem oportunidades para se protegerem contra riscos de preços de curto prazo”, adverte a AIE.

Nos mercados a prazo e de futuros, a maior parte das transações ocorre até dois anos antes da entrega da eletricidade, muito aquém dos horizontes de 10 a 30 anos normalmente exigidos para financiar novos projetos intensivos em capital. “No geral, as lacunas nos mercados de longo prazo dificultam a gestão de riscos de preços ao longo dos períodos necessários para investir em novos projetos de geração, armazenamento e eletrificação”, identifica.

Os analistas indicam ainda que, para necessidades que os mercados, por si só, não conseguem satisfazer, os mecanismos complementares fornecem apoio direcionado para estimular novos investimentos e manter capacidade essencial existente. Salienta que, em muitas regiões, têm ajudado a concretizar objetivos políticos, como garantir a adequação de recursos e cumprir metas de redução de emissões.

“Estes mecanismos tornaram-se uma característica estrutural dos mercados elétricos, contribuindo para disponibilizar geração em grande escala e com baixas emissões, bem como para reter recursos despacháveis e flexíveis que podem operar menos frequentemente à medida que aumenta a quota de renováveis variáveis, mas que continuam essenciais para a segurança do sistema”, conclui a AIE.

A análise sublinha a necessidade de processos de reforma transparentes e previsíveis, para manter a confiança das partes interessadas.

 

 

 

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