3 min leitura
Programa nacional vai mapear oceano português até 2035
Plano pretende colmatar falhas de conhecimento sobre o mar português e integrar dados dispersos para apoiar decisões de conservação, clima e economia azul. “Gémeo digital” vai simular e prever a evolução dos ecossistemas.
03 Jun 2026 - 10:14
3 min leitura
Foto: Adobe Stock/NaturePicsFilms
- UE lança maior operação de prevenção aos incêndios de sempre com Portugal entre os países prioritários
- Programa nacional vai mapear oceano português até 2035
- EDP Renováveis regista aumento de capital com valor de 43 milhões de euros
- AEE chega a Portugal para ligar especialistas nacionais a rede global presente em 144 países
- Que energia queremos para 2030?
- Ministra do Ambiente desvaloriza acusações da CAP relativamente ao PNRN: “Acho muito estranha esta posição”
Foto: Adobe Stock/NaturePicsFilms
Portugal vai avançar com a criação de um programa nacional de mapeamento e monitorização dos ecossistemas marinhos, com horizonte até 2035, para responder às lacunas de conhecimento sobre o estado do oceano e reforçar a gestão baseada em dados científicos.
A iniciativa, definida num despacho publicado nesta quarta-feira em Diário da República, aponta para a necessidade de integrar informação atualmente dispersa por várias instituições, melhorar a monitorização contínua dos habitats marinhos e apoiar o cumprimento das metas europeias de restauro da natureza.
A medida surge um dia depois de o Governo ter apresentado o Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN), com um investimento estimado de 500 milhões de euros anuais, até 2030, para recuperar ecossistemas degradados, reverter a perda de biodiversidade e proteger o oceano. Surge também no âmbito do Regulamento europeu do restauro da natureza e pretende colmatar a falta de conhecimento detalhado sobre os habitats marinhos em águas portuguesas, sobretudo em zonas profundas e afastadas da costa.
O objetivo é estabelecer “uma abordagem integrada, coordenada e de longo prazo que permita consolidar, harmonizar e expandir o conhecimento sobre os ecossistemas marinhos nacionais, assegurando simultaneamente a sua digitalização, acessibilidade e utilização para apoio à decisão”, pode ler-se no despacho assinado pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes.
Segundo o diploma, a informação atualmente existente encontra-se dispersa por várias instituições e resulta, em muitos casos, de campanhas pontuais, o que limita a avaliação do estado dos ecossistemas e a definição de políticas públicas baseadas em evidência científica.
O programa visa criar uma infraestrutura nacional integrada de dados do mar, assegurando a centralização, harmonização e interoperabilidade da informação, bem como a sua articulação com bases de dados europeias como o Copernicus Marine Service e a EMODnet.
Entre os objetivos está também o reforço da monitorização contínua dos habitats marinhos, o apoio à Rede Nacional de Áreas Marinhas Protegidas e à meta internacional de proteção de 30% do oceano até 2030, bem como a avaliação da capacidade de sequestro de carbono dos ecossistemas marinhos.
O despacho prevê ainda o desenvolvimento de um “gémeo digital do oceano português”, capaz de simular e prever a evolução dos ecossistemas e os impactos das atividades humanas e das alterações climáticas.
A coordenação do programa ficará a cargo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em articulação com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e a Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM).
Várias entidades científicas e públicas serão envolvidas na definição do modelo, incluindo instituições ligadas à investigação marinha, hidrografia e ambiente, bem como as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
O Governo terá de receber a proposta final do programa até 30 de setembro de 2026.
- UE lança maior operação de prevenção aos incêndios de sempre com Portugal entre os países prioritários
- Programa nacional vai mapear oceano português até 2035
- EDP Renováveis regista aumento de capital com valor de 43 milhões de euros
- AEE chega a Portugal para ligar especialistas nacionais a rede global presente em 144 países
- Que energia queremos para 2030?
- Ministra do Ambiente desvaloriza acusações da CAP relativamente ao PNRN: “Acho muito estranha esta posição”