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Tratado do Alto Mar ainda longe de produzir efeitos concretos no oceano
Apesar dos progressos nas negociações, desafios políticos e institucionais colocam pressão sobre a primeira Conferência das Partes, marcada para janeiro de 2027, alerta a Aliança para o Alto Mar.
07 Abr 2026 - 09:42
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O Tratado do Alto Mar, considerado um dos maiores avanços recentes na governação internacional dos oceanos, continua longe de se traduzir em mudanças reais no terreno. O alerta vem da Aliança para o Alto Mar (HSA, na sigla inglesa), após a terceira e última sessão da Comissão Preparatória das Nações Unidas, que decorreu ao longo de duas semanas, entre 23 de março e 3 de abril de 2026. A organização reconheceu o esforço dos Estados e dos copresidentes para avançar com decisões essenciais à operacionalização do acordo. Ainda assim, sublinhou que persistem obstáculos significativos.
“O texto do Acordo é claro, mas o trabalho para o transformar de um documento em algo capaz de gerar mudanças reais no oceano está longe de concluído. A tarefa agora é construir as instituições e os processos necessários para transformar ambição em ação na primeira Conferência das Partes, em janeiro”, sublinha Rebecca Hubbard, diretora da HSA.
Durante as negociações em Nova Iorque, foram feitos progressos importantes na definição de estruturas institucionais, no enquadramento financeiro e na criação do futuro secretariado do acordo. No entanto, divisões políticas impediram consensos em áreas cruciais, refere a HSA.
Recorde-se que o Tratado do Alto Mar, conhecido como Acordo BBNJ, entrou em vigor a 17 de janeiro de 2026, após mais de 60 ratificações. O documento abrange todas as áreas além da jurisdição nacional, incluindo tanto a coluna de água como o fundo do mar.
Entre as principais preocupações da Aliança está o risco de enfraquecimento da transparência e da participação. As regras em discussão para a participação de observadores nas futuras Conferências das Partes introduzem incerteza e podem limitar o envolvimento de atores como cientistas, organizações da sociedade civil e comunidades locais.
Além disso, várias decisões estruturais ficaram por fechar, incluindo o funcionamento completo dos órgãos técnicos que irão apoiar a implementação do tratado. Esta situação pode atrasar significativamente a aplicação prática das medidas previstas.
A primeira Conferência das Partes (CoP1), marcada para janeiro de 2027, será um momento decisivo. É nesse encontro que deverão ser tomadas decisões fundamentais para tornar o tratado operacional, desde a criação de áreas marinhas protegidas até à definição de mecanismos de governação.
Contudo, segundo a Aliança para o Alto Mar, o risco é que essa conferência seja sobrecarregada com questões que deveriam já estar resolvidas, atrasando ainda mais a implementação do acordo.
Com a intensificação das alterações climáticas e da perda de biodiversidade marinha, a urgência é crescente, destaca a HSA. E sublinha que o cumprimento de metas globais, como a proteção de 30% do oceano até 2030, dependerá da rapidez e eficácia com que este tratado sair do papel. Para a Aliança, a mensagem é clara: o acordo representa um avanço histórico, mas sem decisões firmes e vontade política, o seu impacto real poderá tardar e o oceano não pode esperar.
“A implementação bem-sucedida do Acordo, desde a criação de áreas marinhas protegidas até à partilha de benefícios dos recursos genéticos marinhos, depende de instituições fortes e de uma participação inclusiva”, afirma Daniel Kachelriess, coordenador transversal da High Seas Alliance. “Quanto mais rapidamente estes sistemas estiverem em funcionamento, mais cedo o Tratado poderá cumprir os objetivos de equidade oceânica e conservação, urgentemente necessários para enfrentar a crise planetária”, acrescenta.
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