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Biogás com potencial para satisfazer mais de 20% da procura mundial de gás natural
Mais de 70% do potencial sustentável do biogás está localizado em economias em desenvolvimento, com destaque para a Índia, Brasil e China, segundo a Agência Internacional de Energia.
20 Jul 2026 - 06:11
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O mundo tem potencial para produzir de forma sustentável quase 900 mil milhões de metros cúbicos de gases renováveis por ano, o equivalente a mais de 20% da atual procura mundial de gás natural, estima a Agência Internacional de Energia (AIE). Deste potencial, mais de 70% encontra-se em economias emergentes e em desenvolvimento, com destaque para a Índia, Brasil e China, onde os resíduos orgânicos podem desempenhar um papel estratégico na transição energética, na redução de emissões e no reforço da segurança energética, assinala a AIE numa nova análise.
“Produzidos a partir de resíduos orgânicos, os gases renováveis — que abrangem tanto o biogás como o biometano — são combustíveis sustentáveis, seguros e de baixas emissões. O biogás pode ser utilizado diretamente para aquecimento em habitações e na indústria, ou para produzir eletricidade. O biometano, uma forma de biogás melhorada, é um substituto direto do gás natural, produzido localmente”, sublinham os analistas.
Para ajudar os decisores a avaliar oportunidades para o biogás e o biometano a nível nacional e local, a AIE lançou também um novo mapa interativo online que permite aos utilizadores explorar estas conclusões com maior detalhe.
A agência internacional defende que, quando desenvolvidos de forma responsável, os gases renováveis podem proporcionar múltiplos benefícios associados aos objetivos energéticos, ambientais e agrícolas. “A sua produção e utilização representam a ideia de uma economia mais circular, proporcionando benefícios através da redução de emissões, da melhoria da gestão de resíduos e de uma maior eficiência na utilização de recursos”, assina a AIE.
Destaca também que o biogás e o biometano podem ainda criar novas oportunidades económicas para comunidades rurais e indústrias, ajudando simultaneamente a expandir as fontes internas de energia, o que pode reforçar a segurança energética.
De facto, na União Europeia, o maior produtor mundial de biogás e biometano, segundo a AIE, a produção combinada de quase 20 mil milhões de metros cúbicos equivalentes de gás natural em 2025 evitou cerca de 5,5 mil milhões de euros em importações de combustíveis convencionais.

Imagem: AIE
Benefícios e desafios
A AIE considera ainda que é possível quadruplicar a produção proveniente de resíduos, em linha com o compromisso assumido na COP30, que decorreu em 2025 no Brasil, para aumentar a produção de combustíveis sustentáveis. Segundo a agência, este objetivo permitiria reduzir cerca de 0,5 gigatoneladas (Gt) de emissões equivalentes de CO₂ por ano, através da valorização de estrume, resíduos urbanos, industriais e agrícolas em digestores anaeróbios, que produzem biogás posteriormente convertido em biometano. “Este processo gera um duplo benefício: reduz as emissões de metano dos setores agrícola e dos resíduos e, ao mesmo tempo, substitui a utilização de combustíveis convencionais”, frisa.
Os gases renováveis podem, por isso, ajudar a cumprir os objetivos da presidência da Turquia na COP31, a decorrer em novembro de 2026, nomeadamente reduzir para metade o crescimento da geração de resíduos até 2035 e diminuir as emissões de metano.
Porém, apesar do seu potencial, a AIE identifica também vários desafios. Nomeadamente, os custos de produção permanecem relativamente elevados, assim como dificuldades logísticas, procedimentos complexos de licenciamento e apoio político insuficiente têm atrasado a implementação em muitos países.
Acresce a isto o facto de que todo o potencial de redução de emissões dos gases renováveis depende fundamentalmente da forma como estes são produzidos. As fugas de metano ao longo da cadeia de valor podem reduzir significativamente, ou até eliminar, os seus benefícios em termos de emissões, aponta a AIE.
Por isso, uma melhor medição e comunicação de dados das instalações existentes, juntamente com normas robustas de contabilização de carbono, são essenciais para demonstrar plenamente o seu desempenho ambiental, recomenda a agência internacional.
Segundo a AIE, quadruplicar a produção de gases renováveis até 2035 exigirá políticas de apoio adaptadas às condições locais, uma vez que o potencial de produção depende, na realidade, da disponibilidade de resíduos orgânicos e varia de região para região.
“As políticas devem, por isso, concentrar-se nas matérias-primas mais promissoras e nas utilizações finais mais adequadas, sustentadas por uma avaliação aprofundada das condições locais”, recomenda a AIE.
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