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Fogo de artifício deixa resíduos tóxicos persistentes no ar e na água

Os resíduos espalhados incluem combustível parcialmente queimado, sais metálicos, aditivos e fragmentos carbonizados das embalagens, contribuindo para a degradação da qualidade do ar e da água.

19 Jul 2026 - 15:29

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Foto: Magnific

Foto: Magnific

O fogo de artifício deixa um impacto ambiental que persiste muito além do espetáculo do momento. Três estudos publicados em revistas científicas da Sociedade Americana de Química (ACS, na sigla inglesa) concluem que os resíduos, as partículas finas e os compostos químicos libertados durante os espetáculos podem afetar a qualidade do ar, alterar a composição química da água e aumentar a exposição da população à poluição atmosférica.

Uma das investigações analisou os resíduos deixados pelo fogo de artifício e concluiu que, quando entram em contacto com a água de rios e lagos, libertam iões metálicos, como potássio e manganês, bem como matéria orgânica dissolvida. Em simultâneo, os resíduos sólidos absorvem compostos já presentes na água, alterando a sua composição química.

Segundo os investigadores, estas alterações podem afetar comunidades microbianas e ecossistemas aquáticos, sobretudo quando grandes quantidades de resíduos são arrastadas para rios e lagos.

Outro estudo avaliou a qualidade do ar durante um grande evento desportivo no Reino Unido e identificou picos de partículas finas coincidentes com os espetáculos de fogo de artifício. Embora outras atividades, como a confeção de alimentos e a circulação de veículos, também tenham contribuído para a poluição, os investigadores verificaram que o fogo de artifício agravou a concentração de partículas inaláveis. A equipa estima que os participantes que permaneceram no evento durante todos os dias estiveram expostos a níveis de poluição superiores aos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

Um terceiro estudo incidiu sobre as aminas, compostos químicos presentes em algumas formulações de fogo de artifício. As medições realizadas durante as celebrações do Ano Novo Lunar, na China, revelaram aumentos significativos destes compostos na atmosfera, bem como de partículas finas e de iões sulfato e potássio.

Os autores concluem que o fogo de artifício contribui para a formação da névoa atmosférica frequentemente observada após grandes celebrações, reforçando as evidências de que os seus impactos ambientais persistem muito para além do momento da explosão.

 

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