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AIEA quer criar quadro internacional para utilização de reatores nucleares em navios
A iniciativa ATLAS pretende criar as bases regulatórias e técnicas para a utilização de pequenos reatores modulares no transporte marítimo e no fornecimento de energia no mar.
02 Jun 2026 - 09:52
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A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) vai lançar a iniciativa Tecnologias Atómicas Licenciadas para Aplicações no Mar (ATLAS), um programa destinado a apoiar o desenvolvimento e a utilização de pequenos reatores modulares (SMR, na sigla inglesa) em navios comerciais e instalações de produção de energia offshore.
A iniciativa será apresentada em agosto, nos EUA, e surge numa altura em que o setor marítimo procura alternativas aos combustíveis fósseis e soluções para reforçar a segurança energética.
“A energia nuclear está a ser estudada como uma opção segura e viável para o transporte marítimo comercial, oferecendo o potencial de transporte marítimo a velocidades mais elevadas sem necessidade de reabastecimentos frequentes. Ao mesmo tempo, inovações como as centrais nucleares flutuantes (FNPP) proporcionam fontes de energia versáteis através de SMR avançados e poderão fornecer energia a comunidades costeiras ou remotas, bem como à indústria”, refere a AIEA em comunicado.
Segundo a agência, o programa pretende reunir a indústria nuclear, operadores marítimos e Estados-membros para identificar obstáculos técnicos, regulatórios e de segurança à utilização de tecnologias nucleares civis no mar.
A AIEA admite que o trabalho poderá conduzir à revisão de normas internacionais de segurança nuclear e ao reforço dos mecanismos de cooperação internacional para a supervisão destas tecnologias.
Além da propulsão de navios, a iniciativa abrange também centrais nucleares flutuantes equipadas com SMR, que poderão fornecer eletricidade a comunidades costeiras, regiões isoladas e instalações industriais.
“A energia nuclear está a emergir rapidamente como um potencial fator transformador tanto para a indústria marítima como para o setor offshore”, afirma o diretor-geral da AIEA, Rafael Mariano Grossi. E acrescenta: “Oferece uma oportunidade sem precedentes: não só poderá permitir que os navios naveguem de forma limpa, mais longe e mais depressa sem reabastecimentos frequentes, como a elevada densidade energética dos pequenos reatores modulares proporciona energia limpa para uma vasta gama de operações. Este é o tipo de solução de que necessitamos urgentemente para alcançar uma transformação real e duradoura no transporte marítimo e além dele”.
Segundo a AIEA, os navios civis movidos a energia nuclear começaram a ser desenvolvidos na década de 1950, mas a tecnologia teve uma adoção limitada. A AIEA pretende agora acelerar a sua aplicação comercial através da criação de um enquadramento internacional para estas operações.
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