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APREN compromete-se a “construir pontes” para acelerar transição energética

Na conferência celebratória do aniversário do Jornal PT Green, Joaquim Barbosa salientou a importância das renováveis para reduzir a fatura da energia, impulsionar a competitividade empresarial e diminuir a dependência de combustíveis fósseis.

24 Set 2026 - 08:23

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Joaquim Barbosa presidente APREN| Foto Melissa Dores

Male presenter in a dark suit speaks at a conference, gesturing with his hands beside a clear lectern with a microphone.

Joaquim Barbosa presidente APREN| Foto Melissa Dores

“Passar das metas à entrega” para concretizar a transição energética, é um dos principais objetivos de Joaquim Barbosa, presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN). 

Durante a intervenção de encerramento da conferência “Transição Energética para Empresas – Desafios da Nova Ordem Mundial”, que assinalou o primeiro aniversário do Jornal PT Green, Joaquim Barbosa garantiu que a APREN está comprometida em “construir pontes” entre os diferentes intervenientes do mercado para acelerar a transição energética. 

Ao aproximar Portugal das metas definidas pela União Europeia, como o objetivo de reduzir em 50% a dependência de combustíveis fósseis até 2034, o orador reforçou também o potencial de Portugal para ser “pioneiro na transição energética”. 

“O facto da Europa confirmar a direção das nossas metas, permite-nos saber que Portugal não só foi pioneiro, mas continua na linha daquilo que deverá ser o caminho da transição energética”, defendeu Joaquim Barbosa. 

Na sua intervenção, Joaquim Barbosa salientou também, tal como a ministra Maria da Graça Carvalho no mesmo evento, a importância das energias renováveis para reduzir a fatura da energia, impulsionar a competitividade das empresas e, principalmente, para diminuir a dependência de combustíveis fósseis a nível nacional.  

Joaquim Barbosa, presidente APREN| Foto: Melissa Dores

No entanto, o que tem vindo a impedir, até agora, “a passagem das metas à ação”, é um conjunto de barreiras e condicionantes que podem vir a afastar o investimento e o financiamento tanto a nível nacional como internacional, alertou o orador.

Entre estas barreiras, está a falta de previsibilidade das redes, a dificuldade no acesso ao licenciamento, a necessidade de garantir a capacidade técnica e o cumprimento dos prazos. 

“Não basta uma empresa desenvolver um projeto. Sabemos que as empresas são cada vez mais internacionais e o capital é móvel (…) Se não tivermos estabilidade, nem previsibilidade, o capital não fica cá”, sublinhou o presidente da APREN.

Ainda a nível empresarial e industrial, Joaquim Barbosa destaca também a importância da estabilidade regulatória e de preços, para permitir, posteriormente, estabilidade no investimento para os promotores de renováveis e para as empresas que consomem esta energia. 

Para o presidente da APREN, “sem previsibilidade, as empresas nacionais não vão ser competitivas”. 

Já para as pequenas e médias empresas (PME), a prioridade rumo à transição deverá ser o acelerar o autoconsumo, o armazenamento, a eficiência e a eletrificação, de forma a garantir o controlo de custos e a competitividade da economia nacional. 

Para Joaquim Barbosa, as comunidades locais ocupam também um papel central na transição energética: “Este desenvolvimento só vai acontecer com uma proximidade e uma sintonia muito grandes com as pessoas”, sublinha. 

Com base no estudo “Tax Footprint”, realizado pela APREN com a NOVA SBE e com Lobo Carmona, o dirigente sublinhou que o setor das renováveis em Portugal está sujeito a uma maior carga fiscal comparativamente com outros setores estratégicos nacionais. Além disso, paga mais impostos do que o setor renovável de outros países europeus. Assim, Joaquim Barbosa alerta que mais impostos para estas iniciativas iria “acabar com os projetos, afastar o investimento para fora de Portugal e matar a competitividade”.  

De acordo com o mesmo estudo, citado pelo dirigente, existem cerca de 60 mil milhões de euros de investimento bloqueados por barreiras técnicas e de licenciamento. Este valor corresponde, aproximadamente, a 20% do PIB nacional. 

Por fim, no âmbito do evento organizado pelo jornal, Joaquim Barbosa deixa ainda um alerta relativo à desinformação, que considera ser uma das “maiores ameaças à transição energética”. 

“Portugal tem condições estruturais para liderar esta transição e ser verdadeiramente competitivo e criar um económico, para o qual não vejo muitas oportunidades. Portanto, o poder político precisa da opinião pública para chegar às metas a que se propõe”, reforça o presidente da APREN.

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