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As barreiras à entrada no mercado de trabalho de sustentabilidade são também internas

Se por um lado a sustentabilidade traz novas oportunidades ao mercado de trabalho, por outro traz também novas barreiras, com profissionais a enfrentar desafios nas suas carreiras que vão além da gestão do conhecimento. Por Gabriela Maciel, project manager da Green Gen Escola de Sustentabilidade

20 Abr 2026 - 07:30

4 min leitura

Gabriela Maciel, project manager da Green Gen Escola de Sustentabilidade

Gabriela Maciel, project manager da Green Gen Escola de Sustentabilidade

A procura por profissionais na área da sustentabilidade está a registar-se a um ritmo duas vezes superior à oferta existente de trabalhadores com competências verdes, uma tendência conhecida como green skills gap, destacada no mais recente Green Skills Report do LinkedIn (2025).

Se podemos antever a ausência de formação académica ou profissional adequada, atempada, acessível e que responda à pluralidade das profissões ou dos diferentes setores de atividade, também podemos explorar outros fatores menos evidentes, mas visíveis noutros contextos, que podem constituir barreiras à entrada no mercado de trabalho de sustentabilidade.

Gestão da incerteza
O Global Risks Report tem revelado um padrão intrigante em que a sustentabilidade não surge como prioritária no curto prazo (2 anos), mas ganha relevância numa perspetiva de longo prazo (10 anos). Este desfasamento pode ser explicado pela miopia temporal estudada por Van der Wal, Van Horen e Grinstein (2018) e que demonstra que mais incerteza origina hábitos menos sustentáveis e maior foco no imediato, explicado através do desconto temporal, ou seja, a preferência por recompensas imediatas menores em detrimento de recompensas futuras maiores. Neste sentido, fazendo o paralelismo com o mercado de trabalho, a escolha de uma carreira em sustentabilidade (no início ou como upskill/reskill) pode concorrer com opções percecionadas como mais seguras ou com ganhos mais imediatos.

Gestão da atenção
A par da especialização crescente das profissões e da existência de silos nas organizações que limitam a capacidade de visão e de pensamento transversal, o desinvestimento na aprendizagem ao longo da vida e as câmaras de eco (echo chambers) promovidas pelos algoritmos propiciam o consumo de conteúdos semelhantes aos já anteriormente consumidos, deixando pouca margem para o contacto inesperado e desestruturado de novas referências ou experiências, que mais tarde poderiam funcionar como atualização de competências ou polinização de inovação em diferentes contextos. Neste caso, a miopia presente na área em que se atua e na qual se está inserido não convidam nem permitem a integração no currículo de novos temas emergentes em sociedade, tais como a sustentabilidade. Esta tendência pode inclusive levar à polarização das profissões, se a ausência de interdisciplinaridade e de uma narrativa comum desencadearem resistência nos colaboradores e ficarem comprometidos processos de change management nas organizações.

Gestão da exposição
“A sustentabilidade é agora um desafio de comunicação”, já dizia David Attenborough, mas proponho irmos mais longe, abrangendo o desafio de comunicação de sustentabilidade também na gestão de carreira. Se as outras profissões e as outras áreas estão já a comunicar, os profissionais de sustentabilidade não podem ficar de fora da conversa, nem refugiar-se atrás de dados, diretivas ou campanhas de sensibilização. É exatamente nestas trocas em eventos, nas redes sociais, no networking, ou até na organização da qual se faz parte, que se consegue dialogar com profissionais de outras áreas, criar sinergias e, quem sabe, gerir o próximo passo da carreira. A comunicação em sustentabilidade é, por isso, um movimento estratégico tanto para a causa, como para a jornada de desenvolvimento profissional.

Gestão da pertença
A profissão assume-se frequentemente como parte identitária do ser humano e, por esse motivo, mudanças ao longo da carreira podem constituir momentos de tensão, desconforto e diferentes receios sobre a perceção dos pares. Historicamente, a sustentabilidade esteve associada a movimentos ambientalistas que, ainda hoje, podem carregar um peso pejorativo em ambientes normativos, sugerindo identidades mutuamente exclusivas. No entanto, a crescente integração da sustentabilidade nas diferentes esferas da sociedade prova que é possível contribuirmos para esta causa comum, sem afetar os grupos de pertença ou traços identitários previamente estabelecidos.

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