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Enfraquecimento das normas de CO₂ nos automóveis pode comprometer flexibiliade do sistema energético

A T&E alerta que um recuo nas metas de emissões reduziria a adoção de veículos elétricos e o potencial da tecnologia Vehicle-to-Grid, solução que permite usar baterias de carros elétricos para armazenar e devolver eletricidade à rede.

10 Jun 2026 - 10:34

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Foto: Unsplash

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O enfraquecimento significativo das normas de CO2 na União Europeia pode comprometer não só a indústria automóvel europeia, mas também a integração de energias renováveis no sistema elétrico, através da tecnologia Vehicle-to-Grid (V2G), mostra um novo estudo da T&E, produzido em parceria com o Fraunhofer ISI. 

O estudo compara dois cenários para 2040. Num cenário em que as atuais metas de CO₂ são mantidas, a frota europeia atingiria cerca de 141 milhões de veículos elétricos, enquanto num cenário de regras enfraquecidas esse valor cairia para 92 milhões. 

Segundo o relatório, essa diminuição no número de veículos elétricos tem impacto direto na capacidade de flexibilidade do sistema energético. Isto porque, como refere o relatório, “a transição para um sistema baseado em energias renováveis exigirá grandes volumes da flexibilidade oferecida pela frota elétrica”, através de sistemas V2G.

Os sistemas V2G referem-se à solução que permite que os veículos elétricos não consumam apenas eletricidade ao serem carregados, mas também que devolvam energia à rede elétrica quando necessário, funcionando como “baterias sobre rodas que ajudam a equilibrar a oferta e a procura de energia em tempo real”, segundo a T&E.

De acordo com o relatório, esta função dos veículos elétricos torna-se “especialmente relevante” num sistema elétrico europeu cada vez mais dependente de fontes renováveis como a eólica e a solar, já que estas são variáveis ao longo do dia. 

Segundo a T&E, “o sistema elétrico europeu está a tornar-se rapidamente dominado pela energia eólica e solar”. Esta transição aumenta a necessidade de flexibilidade para garantir o equilíbrio da rede, e com menos veículos elétricos essa flexibilidade diminuiria. 

Neste sentido, o estudo sublinha que “a transição para um sistema baseado em energias renováveis exigirá grandes volumes da flexibilidade oferecida pelos veículos elétricos”. Assim, uma possível diminuição teria efeitos diretos na capacidade de integração energia solar na UE, já que com as atuais normas de CO₂ seria possível adicionar cerca de 139 GW de nova capacidade fotovoltaica até 2040, enquanto no cenário enfraquecido esse valor desce para 88 GW, menos 37%.

Além disso, uma menor utilização de sistemas V2G reduziria a capacidade de absorver excedentes de produção renovável. De acordo com o relatório, o V2G permite evitar 23 TWh de desperdício de energia no cenário mais forte, e 17 TWh num cenário de enfraquecimento.

Os veículos elétricos são ainda descritos pela T&E como um “recurso de armazenamento distribuído”. No cenário com as normas atuais, a injeção de energia para a rede pode vir a atingir 204 TWh em 2040. No cenário enfraquecido, esse valor cairia para 133 TWh em 2040, o que significa uma redução de 35%.

Em termos económicos, caso estas alterações se confirmem, as poupanças para o sistema elétrico europeu derivadas ao uso de sistemas V2G desceriam de 11,7 mil milhões de euros por ano, para 7,7 mil milhões, de acordo com o estudo. 

Além disso, um novo aumento do uso de combustíveis fósseis no transporte pode gerar até cerca de 25,5 mil milhões de euros adicionais em custos anuais até 2040, mostra o documento.

Segundo as conclusões do relatório, “a descarbonização do transporte rodoviário e a descarbonização do sistema elétrico não podem ser tratadas separadamente”, afirma a T&E, sublinhando o papel do V2G como impulsionador para a integração energética na UE.

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