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Mineração de lítio com alguns dos níveis mais elevados de risco para a biodiversidade
Estudo internacional recorre a inteligência artificial para mapear o impacto da mineração em 70 mil locais e alerta para os riscos ambientais associados aos minerais críticos da transição energética.
25 Jul 2026 - 10:26
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Foto: Adobe Stock/Henri Koskinen
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Foto: Adobe Stock/Henri Koskinen
Um novo estudo liderado por investigadores japoneses da Universidade de Tohoku e do Instituto Nacional de Estudos Ambientais (NIES) alerta que alguns dos minerais essenciais para as tecnologias verdes podem ter impactos significativos na biodiversidade. Os investigadores apontam particularmente a mineração de lítio como uma das atividades com níveis mais elevados de risco para a biodiversidade, apesar de estar associada a menores perdas de floresta.
Segundo os investigadores, está a verificar-se uma mudança no tipo de impacto ambiental associado à mineração. Enquanto a exploração tradicional tem sido marcada pela destruição de grandes áreas florestais, a extração de minerais necessários para baterias e armazenamento de energia pode exercer pressões menos visíveis, mas igualmente relevantes, sobre habitats ecologicamente vulneráveis.
Um exemplo apontado pelo estudo é a extração de lítio em salgados e zonas húmidas, onde a atividade mineira pode alterar ecossistemas frágeis e ameaçar espécies, mesmo sem provocar grandes áreas de desflorestação.
Como se pode verificar no gráfico abaixo, Portugal aparece no mapa mundial com risco acentuado na mineração de lítio. Recorde-se que o Projeto de Lítio do Barroso, na região de Boticas, está a avançar no processo, tendo concluído recentemente o estudo de viabilidade técnica, económica e ambiental e vai avançar agora para o financiamento e preparar o início da construção das infraestruturas previstas, apesar da contestação local.

Gráfico: Tohoku University
Segundo o estudo agora revelado, o lítio, o cobalto e o níquel são considerados matérias-primas essenciais para tecnologias como baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia renovável, mas a sua extração pode gerar “custos ambientais significativos”. Os autores defendem que as metas de descarbonização devem ser acompanhadas por medidas de proteção da biodiversidade, sobretudo perante o aumento esperado da procura destes materiais nas próximas décadas.
Através de técnicas de deteção remota e aprendizagem automática, os cientistas criaram um mapa global inédito das explorações mineiras e cruzaram esses dados com informação pública sobre perda de floresta e risco de extinção de espécies.
A investigação analisou cerca de 70 mil locais de mineração em 20 tipos de matérias-primas e concluiu que as atividades mineiras foram responsáveis pela perda de 16.268 quilómetros quadrados de floresta entre 2001 e 2022, uma área equivalente, aproximadamente, à dimensão de Pequim. A maior parte desta perda ocorreu em zonas de floresta tropical, nomeadamente na Amazónia, Sudeste Asiático e Bacia do Congo.
“Os avanços na deteção remota e na aprendizagem automática oferecem novas oportunidades para a análise automatizada da mineração à escala global. A transição para tecnologias verdes está a impulsionar a procura por um conjunto diferente de minerais, mas ainda existem dados insuficientes para compreender totalmente as implicações ambientais”, explica Keiichiro Kanemoto, professor associado da Universidade de Tohoku e autor do estudo.
Contudo, o estudo confirma que matérias-primas como o ouro e o carvão continuam a ser os principais responsáveis pela desflorestação associada à mineração.
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