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Projeto Lítio do Barroso conclui estudo de viabilidade e avança para fase de financiamento
Estudo valida a viabilidade técnica e económica do projeto de lítio em Boticas e permite avançar para a fase de financiamento e preparação da construção.
15 Jul 2026 - 08:33
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Vista sobre o Barroso | Foto: Savannah
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Vista sobre o Barroso | Foto: Savannah
A Savannah Resources concluiu o Estudo Definitivo de Viabilidade (DFS, na sigla inglesa) do Projeto Lítio do Barroso, uma das etapas mais relevantes no desenvolvimento de um projeto mineiro. O estudo valida a viabilidade técnica, económica e ambiental da exploração e permite à empresa avançar para o financiamento internacional, fechar acordos comerciais e preparar o início da construção das infraestruturas previstas.
O DFS confirma uma vida útil inicial de 14 anos, suportada por uma reserva provável de 20 milhões de toneladas de minério, com uma produção estimada de 2,56 milhões de toneladas de concentrado de espodumena, suficiente para fabricar mais de sete milhões de baterias para veículos elétricos. Segundo o comunicado enviado nesta quarta-feira pela empresa, existe potencial para prolongar a exploração por mais de 40 anos.
Os resultados obtidos demonstram igualmente uma “forte competitividade” a nível internacional: os custos operacionais previstos colocam o Projeto Lítio do Barroso no segundo quartil da curva global de custos da indústria, “o que equivale a dizer que é mais competitivo do que mais de 50% dos projetos hoje em operação no mundo inteiro”, sublinha a empresa. E destaca que apenas 1 em cada 1.000 projetos de prospeção e exploração em todo o mundo consegue atingir a fase de validação que representa o DFS. “A conclusão deste estudo posiciona o Projeto Lítio do Barroso entre os projetos mais promissores da Europa, posicionando-o para ser o 2º de larga escala a operar na Europa, no seguimento do projeto Keliber na Finlândia, que já iniciou produção”, pode ler-se na nota envaida às redações.
A empresa estima criar cerca de 500 postos de trabalho permanentes e mais de mil empregos indiretos e induzidos, além de gerar aproximadamente 720 milhões de euros em impostos, taxas e royalties para Portugal ao longo da vida útil da mina.
Emanuel Proença, CEO da Savannah, salienta que este projeto “volta a demonstrar o seu potencial para gerar retornos económicos relevantes. Os custos operacionais previstos colocam o nosso Projeto ao nível — ou à frente — de alguns dos maiores e mais reputados projetos de espodumena do mundo, na Austrália, Américas e China. Mais importante ainda, o retorno económico será alcançado em paralelo com fortes benefícios socioeconómicos para a região. Entusiasmam-nos sobretudo as muitas centenas de postos de trabalho permanentes que trarão de volta à região pessoas em idade ativa e respetivas famílias, ajudando a inverter o acentuado declínio demográfico registado nas últimas décadas na região”.
Recorde-se que o projeto foi reconhecido em 2025 pela União Europeia como Projeto Estratégico para o abastecimento de matérias-primas críticas e celebrou um contrato de investimento com a AICEP que prevê apoio financeiro até 110 milhões de euros, condicionado à concretização dos investimentos previstos.
Porém, também tem enfrentando forte contestação na região desde o início do processo. Moradores, associações locais e organizações ambientalistas têm manifestado preocupações quanto aos impactos da exploração mineira na paisagem, nos recursos hídricos, na biodiversidade e nas atividades económicas tradicionais, como a agricultura e a pecuária. A oposição ao projeto deu origem a várias ações de protesto e iniciativas judiciais.
Com a conclusão do estudo, a Savannah inicia agora a fase de estruturação do financiamento, desenvolvimento da engenharia de detalhe, negociação de contratos comerciais e preparação da construção da mina, da unidade industrial e das restantes infraestruturas, cujo arranque está previsto para 2027.
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