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Empresas europeias reduzem emissões em 13% com subida do preço do carbono

Análise do BCE a empresas reguladas pelo EU ETS conclui que a subida do preço do carbono a partir de 2017 reduziu emissões sem travar a produção. As fusões e aquisições foram um dos métodos da indústria transformadora para se tornar mais limpa.

14 Jul 2026 - 16:36

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Foto: Adobe Stock/sommersby

Foto: Adobe Stock/sommersby

Quando o preço do carbono na União Europeia (UE) aumentou a partir de 2017, depois de uma reforma do sistema ter tornado as licenças de emissão mais escassas e caras, as empresas mais expostas ao sistema de comércio de licenças de emissão (EU ETS) não só reduziram as suas emissões em cerca de 13%, como o fizeram sem cortar produção, segundo uma nova análise do Banco Central Europeu (BCE).

Além disso, o estudo, que analisou mais de 2200 empresas europeias entre 2013 e 2023, identifica um mecanismo até agora pouco documentado: nos setores industriais mais difíceis de descarbonizar, uma parte do ajustamento passou pela compra de empresas com tecnologias mais limpas. Segundo os analistas, estas aquisições ‘verdes’ explicam cerca de 16% da redução total de emissões observada nestas empresas. “Isto indica que os preços mais elevados do carbono induziram uma produção mais limpa, em vez de uma simples redução da escala de produção, embora a persistência deste efeito no setor transformador continue a ser incerta”, pode ler-se na análise.

Porém, o efeito da subida do preço do carbono não foi uniforme. As produtoras de eletricidade, que podem trocar mais facilmente carvão por gás natural ou renováveis, reduziram as emissões em cerca de 32% face às suas concorrentes menos expostas ao mecanismo. Esta resposta foi também muito mais acentuada do que a verificada na indústria transformadora, onde o corte se ficou pelos 5%. Até 2023, a diferença acumulada entre elétricas mais e menos expostas ao EU ETS chegou a 65%, segundo os autores.

Já entre as empresas industriais, o estudo mostra que o efeito não é uniforme dentro do próprio setor. Ou seja, a redução de emissões concentra-se sobretudo em três subsetores intensivos em carbon. A saber: metalurgia, cimento e químicos, que em conjunto representam cerca de 65% a 70% das emissões da indústria transformadora. Nas restantes atividades industriais, o efeito não é estatisticamente significativo, apura o BCE.

Mudança de perfil das empresas

Um dos pontos centrais do estudo é que a queda nas emissões não resultou de as empresas produzirem menos. A quantidade de CO2 emitida por cada euro de receita gerado (eficiência de emissões) melhorou 21% nas elétricas e 5,4% na indústria transformadora. Para os autores, isto mostra que a subida do preço do carbono levou a processos de produção mais limpos e não a uma redução da atividade.

O número total de fusões e aquisições feitas pelas empresas mais expostas ao EU ETS não aumentou depois de 2017, mas o seu perfil mudou, diz o relatório. Estas empresas passaram a apostar mais em alvos com perfil ambiental mais favorável, um efeito concentrado quase exclusivamente na indústria transformadora e praticamente sem expressão no setor elétrico.

O estudo mostra ainda que as empresas que fazem uma aquisição verde reduzem as suas emissões em cerca de 11% nos anos seguintes. Segundo o BCE, isto é um indício de que estas compras não são apenas simbólicas, pois traduzem-se em ganhos reais na eficiência ambiental.

O relatório analisou também o chamado ‘carbon leakage’, ou seja, a deslocação de produção empresarial para outras geografias sem estas exigências ambientais. O estudo do BCE não encontrou evidência impactante deste movimento. Na realidade, as empresas mais expostas ao EU ETS não aumentaram as suas aquisições de empresas fora da área abrangida pelo sistema europeu de licenças de emissão.

Os autores sublinham que este resultado serve como referência para avaliar  também o impacto de mecanismos mais recentes, como o Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço (CBAM), atualmente em implementação na UE.

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