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Quercus propõe 10 medidas para reduzir desperdício de água nas redes de abastecimento

Reforço da capacidade de resposta das entidades responsáveis pela gestão da água, propondo a criação de equipas municipais e regionais especializadas na deteção e reparação de fugas, entre as propostas.

14 Jul 2026 - 11:13

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Foto: Freepik

Foto: Freepik

A associação ambientalista Quercus apresenta 10 medidas para reduzir as perdas de água nas redes de abastecimento e promover uma gestão mais eficiente dos recursos hídricos. 

A associação alerta que, em 2024, foram perdidos 187,3 milhões de metros cúbicos de água antes de chegarem aos consumidores, num contexto de alterações climáticas, secas mais frequentes e crescente pressão sobre os sistemas de abastecimento. 

A Quercus recorda ainda que “um consumo doméstico eficiente poderá situar-se em torno dos 120 litros por pessoa por dia”, pelo que acredita existir “uma margem significativa” para melhorar a utilização deste recurso sem comprometer a qualidade de vida das populações.

A pressão sobre os sistemas de abastecimento aumenta naturalmente durante os meses de verão, sobretudo nas zonas balneares e nos principais destinos turísticos, onde o aumento sazonal da população conduz a uma maior procura de água, relembra a Quercus. 

Neste sentido, a associação reforça a necessidade de preparar os sistemas de abastecimento para responder a estes períodos críticos “através de uma gestão mais eficiente da oferta e da procura, assim como garantir reservas de água para possíveis interrupções”.

Para a Quercus, “a resposta não pode passar apenas por procurar novas origens de água ou aumentar a capacidade de armazenamento”, lê-se em comunicado divulgado nesta terça-feira. “É indispensável reduzir primeiro o desperdício existente e tornar mais eficiente toda a cadeia de abastecimento, desde a captação até ao consumo final.” 

Neste sentido, a associação apresenta uma lista de 10 medidas para serem “implementadas com urgência”. Entre elas, a associação defende que se deve tornar obrigatória não só a construção de reservatórios municipais de água para garantir pelo menos 24 horas de abastecimento, mas também a monitorização online das redes públicas de abastecimento de água, permitindo uma identificação mais rápida de perdas e anomalias.

A Quercus defende o reforço da capacidade de resposta das entidades responsáveis pela gestão da água, propondo a criação de equipas municipais e regionais especializadas na deteção e reparação de fugas.

 A associação considera ainda essencial reforçar o papel da ERSAR na fiscalização da renovação das redes de abastecimento e promover a publicação anual de um ranking nacional sobre a substituição destas infraestruturas.

Entre as medidas apresentadas está também a promoção da reutilização de água proveniente das ETAR para a rega de jardins e espaços verdes, bem como a aposta na criação e requalificação de espaços verdes com espécies autóctones e de reduzido consumo hídrico. 

A Quercus propõe ainda a realização de um estudo para avaliar a implementação de um tarifário sazonal para o consumo de água durante o verão e em períodos de seca extrema, de forma a incentivar uma utilização mais eficiente do recurso.

Simultaneamente, a associação defende o combate às ligações ilegais à rede de abastecimento, através do agravamento das penalizações previstas na legislação, e a promoção de campanhas de sensibilização para a redução do consumo e a poupança de água, à semelhança das iniciativas desenvolvidas na área da gestão de resíduos.

Para a associação, é fundamental que a gestão da água deixe de ser encarada “apenas como uma resposta às situações de seca”, passando a constituir uma prioridade permanente das políticas públicas de adaptação às alterações climáticas.

“A água é um recurso estratégico, limitado e insubstituível. Reduzir as perdas nas redes de abastecimento, melhorar a eficiência dos sistemas de abastecimento e promover uma utilização mais racional da água são medidas que permitem aumentar a resiliência do país, reduzir custos ambientais e económicos e garantir este recurso essencial para as gerações futuras”, afirma a Quercus.

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