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Zero alerta que Aeroporto Luís de Camões tem de “cumprir rigorosamente” legislação ambiental

A ANA prevê entregar o Estudo de Impacte Ambiental do novo aeroporto à APA até ao final de julho. A ZERO defende que o estudo deve ir além da avaliação do projeto em si, comparando o projeto com a segunda alternativa mais favorável, em Vendas Novas.

23 Jul 2026 - 13:36

3 min leitura

Foto: ANA

Foto: ANA

A ZERO, Associação Sistema Terrestre Sustentável, considera que o avanço do processo relativo ao novo Aeroporto Luís de Camões deve obedecer a um processo de avaliação ambiental “tecnicamente robusto, transparente e participado, garantindo o escrupuloso cumprimento da legislação nacional e europeia e a efetiva consideração das alternativas existentes”. 

No que diz respeito ao Aeroporto Luís de Camões, a ZERO entende que o Estudo de Impacte Ambiental deverá ir além da avaliação do projeto em si, incluindo uma comparação rigorosa e fundamentada com a segunda alternativa considerada mais favorável no âmbito da Avaliação Ambiental Estratégica, em Vendas Novas, bem como com a denominada “opção zero”, como prova de que a solução escolhida constitui “a alternativa ambientalmente mais adequada e de maior interesse público”. 

A ANA prevê entregar o Estudo de Impacte Ambiental à Agência Portuguesa do Ambiente até ao final de julho, com quase cinco mil páginas.

A associação manifesta ainda a sua discordância relativamente à inclusão de uma componente rodoviária na Terceira Travessia do Tejo entre Chelas e Barreiro. A nova travessia deverá privilegiar exclusivamente o modo ferroviário, assegurando a ligação ao novo aeroporto e reforçando a mobilidade sustentável na Área Metropolitana de Lisboa.

A introdução de capacidade rodoviária adicional constituiria um incentivo ao aumento do tráfego automóvel, agravando os problemas de congestionamento, comprometendo a transferência modal para o transporte coletivo e dificultando o cumprimento das metas nacionais e europeias de redução das emissões de gases com efeito de estufa. 

O novo Aeroporto Luís de Camões, em Lisboa, deverá entrar em funcionamento em 2035. A construção irá arrancar em 2029 e ficar concluída até 2033, prevendo-se depois um período para testes e certificação.

Já relativamente à expansão do atual Aeroporto Humberto Delgado, prevista para assegurar o aumento da capacidade durante o período de transição, a ZERO mantém fortes reservas quanto à sua viabilidade ambiental. 

A associação considera ainda que persistem enormes dúvidas sobre a possibilidade de esta expansão respeitar a legislação nacional e europeia em matéria de ruído, atendendo aos elevados níveis de exposição já atualmente verificados nas populações afetadas e ao previsível agravamento decorrente do aumento das operações aeroportuárias e deverá revelar-se juridicamente impossível a bem da salvaguarda da saúde pública. 

A ZERO recorda que Portugal assumiu “compromissos exigentes” em matéria de neutralidade climática e qualidade ambiental, pelo que as grandes infraestruturas de transporte devem ser concebidas em coerência com esses objetivos, evitando investimentos suscetíveis de perpetuar modelos de mobilidade assentes na utilização do automóvel.

Em comunicado, associação reitera que tanto o novo aeroporto como a expansão do Aeroporto Humberto Delgado, a Terceira Travessia do Tejo e as restantes infraestruturas de acesso deverão ser objeto de processos de Avaliação de Impacte Ambiental “rigorosos, independentes, transparentes e amplamente participados, assegurando que todas as decisões assentam na melhor evidência técnica disponível e salvaguardam o interesse público, a proteção das populações e o cumprimento da legislação ambiental e climática”.

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