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Atraso português na reciclagem de embalagens exposto em nova campanha do Eletrão
Com a campanha “atrasados ambientais” a entidade quer "sublinhar, com ironia, o absurdo de continuarmos a deitar embalagens no lixo indiferenciado enquanto o país falha metas e esgota aterros".
29 Dez 2025 - 11:16
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Com o objetivo de “expor o atraso do país” no que toca ao incumprimento da nova meta europeia de reciclagem de embalagens, o Electrão resolveu lançar nesta segunda-feira uma campanha de sensibilização para a separação deste tipo de resíduos a nível nacional. A entidade dá conta que, para este ano, a taxa de reciclagem prevista desta matéria ronda os 61%, cerca de 550 mil toneladas, o que é inferior aos 65% impostos por Bruxelas.
Até 2030, o novo enquadramento europeu exige um mínimo de 70% de reciclagem global de embalagens, “o que implicará para Portugal um esforço acrescido e continuado ao longo dos próximos anos para recuperar o atraso”, sublinha o Electrão.
“Estamos com metas mais exigentes, mais embalagens a entrar no mercado, aterros perto do limite e um crescimento muito tímido das taxas de reciclagem”, realça o CEO do Electrão. Pedro Nazareth, esclarece: “Em linguagem simples, estamos atrasados em relação à Europa e atrasados em relação às obrigações que assumimos. Se não acelerarmos agora, não será apenas a meta de 2025 que fica em risco, todo o caminho até 2030 fica comprometido”.
Neste cenário, a entidade avança então com a campanha intitulada “atrasados ambientais”, com o intuito de elucidar os portugueses sobre a separação incorreta de embalagens, de forma humorística. O Eletrão destaca, em comunicado, revela que visa “sublinhar, com ironia, o absurdo de continuarmos a deitar embalagens no lixo indiferenciado enquanto o país falha metas e esgota aterros”.
“A opção foi usar humor e um certo desconforto saudável para pôr o tema na mesa, antes de mais um ano de metas por cumprir. Se o facto de Portugal não estar no grupo da frente na reciclagem ferir um pouco o nosso orgulho, tanto melhor. É esse incómodo que queremos transformar num impulso para mudar comportamentos”, explica Pedro Nazareth.
A entidade clarifica que os alvos não são cidadãos em específico, “mas comportamentos que ficaram para trás num momento em que o país já não se pode dar ao luxo de continuar a falhar”.
Em 2024, Portugal viu subir em 3,97% a sua produção de resíduos urbanos face ao ano interior, ao totalizar 5,55 milhões de toneladas geradas. Cada português produziu em média 517 kg num ano, o que corresponde a 1,4 kg por dia. No destino final dos resíduos, a deposição em aterro continuou a prevalecer, embora com uma ligeira descida. Nesse ano, 54% dos resíduos tiveram este destino, menos 7 pontos percentuais do que em 2023.
O país, em 2023, estava também abaixo da média no ranking da taxa de reciclagem de embalagens da União Europeia, ao ocupar o 21º lugar, segundo dados do Eurostat.
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