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Avaliações de risco climático e planos de resiliência exigem partilha de informação
Franco Caruso, da Brisa, e Raquel Seabra, da Sogrape, concordam que antecipação e colaboração são questões essenciais para as empresas acautelarem atualmente os riscos climáticos.
17 Mar 2026 - 07:40
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Sónia Santos Dias, Franco Caruso e Raquel Seabra | Foto: Melissa Dores
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Sónia Santos Dias, Franco Caruso e Raquel Seabra | Foto: Melissa Dores
O segundo painel da conferência “Descarbonização e resiliência a riscos climáticos: Desafios da economia nacional” quis tomar o pulso a como é que as empresas se estão a adaptar aos riscos climáticos e que lições tiraram das recentes tempestades.
Franco Caruso, diretor de Sustentabilidade da BRISA, admitiu que os feitos da tempestade Kristin serviram para confirmar à empresa “que estava no bom caminho” e que a avaliação de riscos, que tinha sido concluída em 2025, previa já a possibilidade de rios atmosféricos e sucessões de tempestades. “Lamentavelmente não foi surpresa, mas a primeira lição foi a de que a avaliação dos riscos climáticos tem mesmo de ser realizada”. A antecipação e conhecimento dos impactos levou já a Brisa a redesenhar a sinalética e a alterar a superfície dos painéis nas autoestradas.
Raquel Seabra, administradora-executiva da Sogrape, corrobora nessa necessidade de antecipar e ver a longo prazo, também em matéria de riscos físicos. “Talvez por sermos uma empresa familiar, pensamos muitas vezes: como podemos garantir que daqui a 100 anos continuaremos a produzir vinho? Pensar os negócios a longo prazo traz a sustentabilidade para as decisões: onde plantar, que castas, as necessidades hídricas. Temos trabalhado muito na resiliência da videira, nos solos, o que nos tem levado de volta a algumas práticas ancestrais. E também apostado e incorporado tecnologia, como os nanosensores e os drones. Mas gostávamos de ver surgir apoios e incentivos que apoiem decisões difíceis de investimento”. Na prevenção de riscos, Raquel Seabra sublinhou a falta de produtos financeiros que sejam desenhados tendo em conta o ciclo produtivo.
Luís Ribeiro, administrador-executivo do Novobanco | Foto: Melissa Dores
Para a administradora da Sogrape, o associativismo do setor é chave na partilha de informação. “Não há solução sem colaboração”, é a conclusão, tanto mais que o setor é fragmentado e frágil. Concordando com ela, Franco Caruso alerta que “as avaliações de risco e os planos de resiliência exigem partilha de informação e custam muitas horas de trabalho”.
A conferência foi encerrada por Luís Ribeiro, administrador-executivo do Novobanco. “São tempos desafiantes, fica claro que temos de planear respostas e de fazer diferente e em conjunto”, afirmou Luís Ribeiro.
Texto de Ana Sousa
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