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Bioeconomia na UE desperdiça potencial de crescimento de 18% ao ano

Comissão Europeia aposta 2,7 biliões de euros em estratégia para transformar resíduos em negócio, embora execução dependa de projetos-piloto LIFE que ainda lutam por escala.

23 Dez 2025 - 12:32

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Foto: Freepik

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A bioeconomia europeia movimenta 2,7 biliões de euros e emprega 17,1 milhões de pessoas, mas a Comissão admite que a maior parte do potencial permanece inexplorado. As estimativas apontam para um possível crescimento de 18% anuais, desde que haja “apoio adequado”.

A recém-lançada Estratégia da União Europeia para a Bioeconomia promete catalisar este crescimento através da inovação em materiais biológicos e soluções tecnológicas. Na prática, quem está no terreno são projetos financiados pelo programa LIFE, que tentam provar a viabilidade comercial de converter biomassa desperdiçada em produtos com valor de mercado.

O projeto neerlandês GR4SS exemplifica tanto o potencial como as limitações do modelo. Recolhe relva cortada nas bermas das estradas, normalmente descartada, e processa-a em digestores anaeróbicos para produzir biometano verde, fibras e substitutos de solo. Dez digestores poderiam gerar 25 mil milhões de litros de gás verde e evitar 125.800 toneladas de CO2 nos Países Baixos. Porém, o projeto continua em fase demonstrativa.

Em Espanha, o ZEBRA-LIFE extrai compostos bioaromáticos do licor negro, subproduto da pasta de papel habitualmente queimado para recuperação energética. Os antioxidantes e aditivos com filtro UV produzidos rivalizam com sintéticos convencionais em cosméticos, borracha ou polímeros.

O MySOIL, implementado em França, Itália e Espanha, usa fungos para descontaminar solos poluídos por hidrocarbonetos de petróleo, removendo até 90% dos poluentes. Com 2,5 milhões de locais potencialmente afetados na Europa, a biorremediação apresenta-se como alternativa à dessorção térmica ou incineração, processos caros e intensivos em energia.

Os três projetos alinham-se com o Pacto Ecológico Europeu, a Estratégia para a Sustentabilidade dos Produtos Químicos, a Diretiva Energias Renováveis e a Estratégia para os Solos 2030.

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