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Branqueamento de corais entre 2014 e 2017 foi o mais severo alguma vez registado

Estudo internacional revela que metade dos recifes mundiais sofreu danos moderados ou graves. Cientistas alertam que aquecimento dos oceanos está a acelerar degradação de ecossistemas essenciais.

11 Fev 2026 - 08:51

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Foto: Freepik

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Metade dos recifes de coral do planeta sofreu branqueamento moderado ou grave durante o período de 2014 a 2017, num evento sem precedentes que superou todos os episódios anteriores de degradação destes ecossistemas marinhos. A conclusão surge num estudo internacional publicado nesta terça-feira na revista Nature Communications, que analisou dados de mais de 15 mil inspeções subaquáticas em todo o mundo.

A investigação, baseada em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla inglesa), concluiu que 51% dos recifes sofreram branqueamento moderado ou superior e 15% registaram mortalidade significativa de corais. Os números representam uma escalada dramática face a eventos anteriores: em 2014-2017, 65,8% dos pixels de satélite contendo recifes atingiram níveis de stress térmico suficientes para causar branqueamento, comparado com 37,2% no segundo evento global de 2009-2011 e apenas 20,9% no primeiro, em 1997-1999.

O estudo documenta pela primeira vez um evento de branqueamento global que se prolongou por três anos consecutivos, afetando sucessivamente diferentes regiões do planeta. A Grande Barreira de Coral australiana, o Triângulo de Coral no Sudeste Asiático, as ilhas do Pacífico e o mar das Caraíbas foram particularmente atingidas. Em algumas zonas, como a ilha de Jarvis no Pacífico central, o stress térmico manteve-se durante mais de 12 meses seguidos.

Novos níveis de alerta

A severidade do fenómeno levou a NOAA a criar níveis de alerta (3 a 5) para classificar episódios de branqueamento cada vez mais extremos. Segundo os autores, 5% dos recifes atingiram temperaturas acumuladas suficientes para causar mortalidade de múltiplas espécies, e 0,1% chegaram ao nível 5, o que indica risco de mortalidade quase total.

O branqueamento ocorre quando a relação entre os corais e as suas algas simbióticas se desfaz devido ao stress térmico. Os corais ficam fisiologicamente danificados e nutricionalmente comprometidos, podendo morrer se o branqueamento for severo ou prolongado.

A investigação revelou ainda diferenças regionais significativas. No mar das Caraíbas e Atlântico, apesar de os corais branquearem em resposta ao calor, a mortalidade foi inferior à registada no Indo-Pacífico. Os cientistas atribuem este padrão a um longo histórico de eventos de stress térmico na região, que terá selecionado espécies e genótipos mais resistentes, embora à custa de uma drástica redução da diversidade e funcionalidade dos ecossistemas.

Ciclos de recuperação interrompidos

O estudo alerta que o intervalo entre eventos de branqueamento está a diminuir, impedindo a recuperação dos recifes. Na Grande Barreira de Coral, por exemplo, episódios de recuperação da cobertura de coral em 2022 foram imediatamente interrompidos pelo novo branqueamento, e em 2023-2024, 73% dos recifes monitorizados voltaram a branquear significativamente.

“Com os aumentos previstos na frequência e duração do stress térmico, os ciclos de expansão e recessão na cobertura de corais podem desencadear a transição dos ecossistemas de recifes de pontos críticos de biodiversidade marinha para novos estados estáveis de menor diversidade, caracterizados por apenas algumas espécies termicamente tolerantes, semelhantes ao estado atual da maioria dos recifes das Caraíbas/Atlântico”, advertem os autores.

Em outubro, o Relatório Global Tipping Points já classificava o desgaste severo dos recifes de coral de água quente como o primeiro “ponto de não retorno” climático. Os cientistas consideram inevitável a perda de grande parte dos recifes, a não ser que a temperatura média global descer novamente para perto de 1°C.

Os recifes de coral são essenciais para mais de mil milhões de pessoas, protegendo costas da erosão, fornecendo alimentos e sustentando economias locais. O estudo publicado nesta terça-feira conclui que o aquecimento global é agora a principal ameaça a estes ecossistemas e que, sem ação climática urgente, a degradação pode tornar-se irreversível.

O evento de 2014-2017 já foi ultrapassado em severidade pelo quarto episódio global de branqueamento, atualmente em curso.

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