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Planeta ultrapassa primeiro “ponto de não retorno” climático

Relatório alerta que mortalidade em grande escala de recifes de coral de águas quentes, vitais para cerca de mil milhões de pessoas e um quarto da vida marinha, é sinal claro de que o primeiro limiar já foi ultrapassado.

13 Out 2025 - 07:07

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Foto: Freepik

Foto: Freepik

O mundo entrou numa nova fase da crise climática. O segundo Relatório Global Tipping Points, elaborado por 160 cientistas de 87 instituições em 23 países, conclui que o mundo já atingiu o primeiro “ponto de não retorno”, com consequências potencialmente catastróficas para a humanidade e para a natureza. Os recifes de coral de águas quentes, vitais para cerca de mil milhões de pessoas e um quarto da vida marinha, estão a sofrer mortalidade massiva, sinal claro de que o primeiro limiar foi ultrapassado.

Mesmo com o aquecimento global limitado a 1,5°C, os cientistas consideram inevitável a perda de grande parte dos recifes, salvo se a temperatura média global descer novamente para perto de 1°C. Pequenas áreas poderão sobreviver e devem ser alvo de medidas urgentes de proteção e conservação.

O documento oficial, a cargo da WWF Internacional, da Universidade de Exeter e de outros parceiros, será divulgado na próxima semana, antes da COP30, no Brasil.

O relatório alerta também para outros pontos críticos iminentes: o colapso da Floresta Amazónica, o degelo irreversível das calotas polares e a possível desestabilização da Circulação Meridional do Atlântico (AMOC, na sigla inglesa), uma corrente oceânica essencial para o equilíbrio climático global. O colapso da AMOC, possível com menos de 2°C de aquecimento, traria invernos mais severos na Europa, alterações na época de monções africanas e asiáticas e quebras acentuadas na produção agrícola, ameaçando a segurança alimentar mundial.

Os autores defendem uma resposta imediata para travar o aquecimento acima de 1,5°C, sublinhando que cada fração de grau adicional aumenta o risco de colapsos ambientais. A solução passa por acelerar “pontos de viragem positivos”, como a adoção em larga escala de energias limpas, veículos elétricos e soluções baseadas na natureza. Setores como o alimentar também podem impulsionar esta mudança, reduzindo a desflorestação e restaurando ecossistemas.

“O tempo para agir está realmente a esgotar-se, mas ainda podemos conter os danos. Para isso, é necessária uma ação imediata e decisiva por parte dos líderes mundiais na COP30 – para proteger os direitos das pessoas em todo o mundo, já que as metas atuais e contributos de cada país não são suficientes”, alerta Alice Fonseca, Climate & Policy Officer da WWF Portugal. Acrescenta que “também é preciso alavancar pontos de viragem positivos. Restaurar a natureza é uma das formas mais poderosas de o fazer, sendo essencial para criar resiliência, remover carbono da atmosfera e apoiar a subsistência das comunidades. Precisamos de acelerar esta e outras transformações com ações coordenadas entre governos, empresas e sociedade civil”.

O relatório destaca ainda que os atuais compromissos climáticos são insuficientes e que as políticas públicas não estão preparadas para lidar com fenómenos abruptos e irreversíveis. A prioridade, dizem os cientistas, é apoiar transformações rápidas e sistémicas que permitam desencadear “pontos de viragem positivos” para um futuro mais resiliente e sustentável.

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