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Choques no petróleo aumentam risco de incumprimento das empresas para 2,95%
Banco de Portugal estima um impacto mais intenso nas empresas com maior exposição energética, refletindo uma maior sensibilidade ao aumento dos preços da energia.
30 Mai 2026 - 10:34
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Os choques nos preços do petróleo aumentam de forma clara o risco de incumprimento das empresas em Portugal, sobretudo nas que têm maior dependência de energia, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado pelo Banco de Portugal (BdP) nesta quarta-feira.
A análise estima que, entre 2009 e 2023, em períodos de choque petrolífero, a probabilidade de uma empresa entrar em incumprimento sobe para 2,95% nas empresas mais expostas à energia, enquanto nas menos expostas se situa nos 1,90%.
Em termos de variação, o Banco de Portugal conclui que os choques petrolíferos aumentam a probabilidade de incumprimento em cerca de 0,16 pontos percentuais (p.p.) nas empresas mais expostas, contra 0,11 p.p. nas menos expostas.
O impacto é, assim, mais intenso nas empresas com maior exposição energética, refletindo uma maior sensibilidade ao aumento dos preços da energia.
O estudo mostra também que o efeito não se limita ao aumento dos custos energéticos. Em contextos de subida do petróleo, os bancos tendem a reagir de forma mais prudente: reduzem a concessão de crédito às empresas mais expostas e aumentam as taxas de juro aplicadas a novos empréstimos.

Gráfico: Banco de Portugal
Na prática, isto cria um efeito em cadeia. As empresas mais dependentes de energia enfrentam simultaneamente custos de produção mais elevados, maior dificuldade em obter financiamento e condições de crédito mais caras, o que aumenta a pressão sobre a sua capacidade de cumprir com os pagamentos.
O Banco de Portugal sublinha que estes resultados ajudam a perceber como os choques energéticos se transmitem à economia real através do sistema financeiro e reforçam a importância de reduzir a dependência energética da economia e de acompanhar de perto os riscos de crédito no setor bancário.
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