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INE destaca evolução das energias renováveis mas relembra dependência do petróleo

No Dia Mundial da Energia, o Instituto Nacional de Estatística revela que, em 2024, a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis representou 86,2% do total produzido.

29 Mai 2026 - 13:49

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Foto: Vecteezy

Foto: Vecteezy

O Instituto Nacional de Estatística (INE) destaca, no âmbito do Dia Mundia da Energia, nesta sexta-feira, a evolução recente das energias renováveis em Portugal e o seu contributo para a transformação da matriz energética nacional e para o acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Ainda assim, relembra que o petróleo é a fonte principal de energia primária. 

Num balanço acerca da produção e consumo energético entre 2015 e 2024, o INE considera que a matriz energética portuguesa começou finalmente a evidenciar “sinais de transformação”. A produção doméstica de energia desse ano, praticamente assente em fontes renováveis, atingiu 8 018 ktep (quilotonelada equivalente de petróleo), o valor mais elevado entre 2015 e 2024, o que corresponde a 39,4% do consumo de energia primária. 

As fontes renováveis representaram 38,3% do consumo de energia primária em 2024, mais 3,5 pontos percentuais do que em 2023, refletindo, sobretudo, o aumento da produção hídrica e fotovoltaica, mostra o relatório. No entanto, o petróleo manteve-se como a principal fonte de energia primária representando 40,8% do total.

Além disso, o INE revela que, em 2024, a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis representou 86,2% do total produzido. A capacidade instalada renovável atingiu 20 777 MW, correspondendo a 78,1% da potência total instalada para produção de eletricidade, destacando-se a tecnologia fotovoltaica, que viu a sua potência aumentada em 45,6% face ao ano anterior.

Relativamente aos transportes, o INE considera que o setor continua a representar “um dos principais desafios da transição energética”, sendo responsável, em média, por 35,6% do consumo final de energia no período 2015-2024. 

Durante este intervalo, os preços dos combustíveis rodoviários aumentaram acentuadamente a nível global. Depois do pico em 2022, os preços estabilizaram em 2024 e 2025, mas voltaram a subir no início de 2026, graças às oscilações no preço do petróleo e à guerra do Médio Oriente. 

Em março de 2026, a gasolina IO95 atingiu 1,833 €/litro, mais 4,1% do que em janeiro de 2015, mostra o estudo do INE. O gasóleo rodoviário registou uma subida menor (14,4%) atingindo 1,896 €/litro. Apesar do agravamento dos preços no início de 2026, o consumo de combustíveis rodoviários manteve-se relativamente estável.

A nível europeu, Portugal apresenta uma posição favorável nos indicadores de incorporação de energias renováveis. Em 2024, a quota global de FER no consumo final bruto de energia situou-se em 36,3%, acima da média da UE (25,2%), embora ainda distante da meta nacional de 51,0% para 2030. 

Também na eletricidade, Portugal registou um valor superior ao da UE, com uma produção de 65,8%, face a 47,5%. Nos transportes, apesar de a quota renovável nacional de 14,3% exceder a média da UE, que fica pelos 11,2%, este continua a ser o domínio mais exigente da transição energética. 

No entanto, a dependência energética nacional permaneceu acima da média da UE, 64,5% nacionais face a 57,3%, o que reflete a “ausência de produção nacional de combustíveis fósseis e o peso ainda significativo do petróleo, em particular nos transportes”, afirma o INE no comunicado.

A evolução dos indicadores energéticos deve ser enquadrada à luz das metas nacionais definidas para 2030, em particular no âmbito das energias renováveis e da eficiência energética, relembra o INE. Apesar desta trajetória descendente, o cumprimento da meta de 16 711 ktep em 2030 exige ainda uma redução adicional de 17,9% face a 2024, correspondente a uma taxa média anual de decréscimo de 3,2%, superior à observada entre 2015 e 2024. 

O consumo final de energia aumentou 5,1% no mesmo período, situando-se em 16 713 ktep em 2024. Para alcançar a meta de 14 371 ktep definida para 2030, é necessário inverter a tendência recente e assegurar que é feita uma redução média anual de 2,5% até 2030. 

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