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Captura, transporte e armazenamento de CO2 em estudo pelo Governo
Estudo propõe armazenamento do carbono na Bacia Lusitânica, na costa ocidental portuguesa. Ministra do Ambiente diz que foi criado um grupo de trabalho no ano passado que está “a olhar para várias soluções”.
23 Jan 2026 - 16:03
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O Governo está a estudar a adaptação da legislação nacional à captura, transporte e armazenamento de carbono (CO2), e a “olhar para várias soluções” tendo em conta os impactos ambientais, segundo a ministra do Ambiente.
Maria da Graça Carvalho participou, nesta sexta-feira, na apresentação de um estudo da indústria cimenteira sobre a matéria, afirmando depois aos jornalistas que foi criado um grupo de trabalho no ano passado que está “a olhar para várias soluções”.
O mais importante do ponto de vista do Estado, explicou, é como se irá adaptar a legislação “para absorver esta questão do transporte de CO2”.
A ministra acrescentou que esse trabalho está a ser feito, “de estudar as possibilidades” e de falar com a Comissão Europeia, no sentido de ser adotada legislação, mas também haver financiamento.
O estudo apresentado, da responsabilidade da Associação Portuguesa de Cimento (ATIC), propõe o armazenamento do carbono na Bacia Lusitânica, na costa ocidental portuguesa, uma região com mais de 22 mil quilómetros quadrados e que permitiria, a longo prazo, o armazenamento de até 300 milhões de toneladas de CO2.
Para tal seria necessário construir uma rede de gasodutos que assegurasse a ligação das entidades emissoras de CO2 até ao local, cerca de 680 quilómetros de extensão e mais 25 a 40 quilómetros no mar.
O investimento, segundo o estudo, seria de cerca de 2,2 mil milhões de euros (para transporte e armazenamento), sendo a captura de CO2 a cargo da indústria, 200 a 300 milhões de euros por fábrica.
Nas previsões do estudo em 2030 podia ser criado o primeiro poço de armazenamento e testar injeções de CO2, com o primeiro ciclo deste projeto terminado em 2055/60.
Na apresentação do estudo “PT Carbon Link” o vice-presidente da ATIC, Otmar Hubscher (SECIL), salientou o compromisso da indústria com a neutralidade carbónica até 2050 e pediu o apoio do Governo.
Maria da Graça Carvalho reconheceu que a descarbonização é difícil no setor dos cimentos, onde ainda “há muito a fazer”, e falou do “grande desafio” do país que é o de atingir a neutralidade climática até 2045.
A governante avisou que a tecnologia proposta não é simples e reafirmou a importância de tudo ser feito com o envolvimento das comunidades.
“A aceitação social local dos projetos é algo que nos preocupa, em todos os projetos tem de ser o ponto de partida”, afirmou.
Referindo que os setores industriais são difíceis de descarbonizar a ministra referiu que cerca de 80% das emissões de CO2 são “relativamente fáceis de descarbonizar, desde que haja financiamento e vontade política e das pessoas”, usando a energia renovável na eletrificação, nos transportes simples e nos consumos dos edifícios.
Os outros 20%, como a indústria do vidro, da cerâmica, ou dos cimentos, são “dos mais difíceis”, bem como alguns modos de transporte, como a aviação e o transporte marítimo.
Nas palavras de Maria da Graça Carvalho este processo de transporte e armazenamento de CO2 é complexo e tem de ser “bem pensado”.
“Acho que há um caminho a fazer para que estes programas sejam incluídos no financiamento europeu”, disse, reafirmando que o Governo está a olhar para a legislação mas também para os impactos ambientais. “É prematuro dizer que é aqui ou acolá”, disse, referindo-se ao local de armazenamento de CO2.
Afirmando que o ideal seria usar CO2 para produzir combustíveis, químicos ou materiais, porque se evita o transporte e o armazenamento, a ministra concordou com a importância de haver a curto prazo um projeto-piloto de captura, transporte e armazenamento de CO2.
O estudo foi apresentado em Lisboa na “Conferência PT Carbon Link”, que juntou a indústria e especialistas nacionais e europeus. Na conferência foram apresentadas experiências internacionais sobre a questão da captura de CO2.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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