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Cidades portuguesas entre as que têm pior acesso a espaços verdes na Europa
Lisboa, Setúbal e Faro com menos de 4% da população com acesso a zonas naturais. Coimbra apresenta melhor desempenho em Portugal, mas não ultrapassa a média de 15% da Europa.
13 Abr 2026 - 13:36
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Coimbra | Foto: Unsplash
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Coimbra | Foto: Unsplash
Portugal está entre os países europeus com piores níveis de acesso a espaços verdes urbanos, segundo um estudo que analisou 862 cidades e avaliou o cumprimento do princípio “3-30-300”, orientação utilizada pelas autoridades públicas e organizações internacionais sobre padrões ecológicos. O princípio prevê a existência de três árvores visíveis a partir de cada habitação, uma cobertura arbórea de 30% em cada bairro e a residência a menos de 300 metros de um espaço verde de elevada qualidade.
Nenhuma cidade portuguesa ultrapassa os 15% de população com acesso adequado à natureza, evidenciando um atraso significativo face a várias regiões do Norte e Centro da Europa.
Coimbra destaca-se como o município com melhor desempenho no país, situando-se entre os 8% e 15% da população com acesso adequado a espaços verdes. Ainda assim, os valores ficam aquém dos registados em cidades europeias líderes nesta área. Porto, Viseu e Paredes apresentam níveis intermédios, entre os 4% e 8%, revelando também limitações no acesso a estes espaços, segundo a análise realizada pela Comissão Europeia, em colaboração com a Universidade de Copenhaga.
A situação é mais crítica nas maiores áreas urbanas. Lisboa regista apenas entre 2% e 4% da população com acesso adequado, enquanto Setúbal e Faro apresentam os piores resultados, com menos de 2%. Estes dados colocam as cidades portuguesas entre as mais deficitárias no panorama europeu no que diz respeito à proximidade à natureza em meio urbano.
Diferenças entre norte e sul da Europa
A nível europeu, nas 862 cidades analisadas, apenas 13,5% dos residentes cumprem todos os critérios, enquanto 21% vivem em áreas que não satisfazem nenhum dos três indicadores.
A investigação recorreu a imagens de satélite de alta resolução e a dados socioeconómicos. O cumprimento da regra 3-30-300 varia consideravelmente no continente devido a fatores climáticos e económicos.

Gráfico: JRC/CE
Do ponto de vista geográfico, as taxas mais elevadas de conformidade concentram-se na Escandinávia, Alemanha e Polónia, nomeadamente em cidades como Helsínquia (57%), Hamburgo (55%) e Cracóvia (47%). Em contrapartida, cidades do sul da Europa, como Atenas (3,3%), Palermo (1,9%) e Córdova (1,0%), apresentam os níveis de cumprimento mais baixos.
Os resultados revelam também uma acentuada “divisão verde” entre bairros mais ricos e mais pobre, sendo que os mais ricos apresentam níveis significativamente mais elevados de cobertura arbórea e proximidade à natureza do que as áreas de menor rendimento.
“Esta divisão norte-sul reflete provavelmente um gradiente climático: os ambientes húmidos do norte da Europa favorecem naturalmente a vegetação exigida pela regra, enquanto os climas áridos do Mediterrâneo tornam estes objetivos substancialmente mais difíceis de alcançar sem uma gestão intensiva”, pode ler-se na nota divulgada.
Para além do clima, a distribuição dos espaços verdes é também uma questão de equidade. O estudo conclui que as cidades com maior PIB per capita tendem a oferecer mais espaços verdes. Nas cidades com níveis mais baixos de PIB per capita, a percentagem mediana da população que cumpre a regra “3-30-300” permanece abaixo dos 10%, enquanto nas cidades com níveis mais elevados essa base é significativamente superior, com medianas entre aproximadamente 15% e 20% e casos de melhor desempenho a ultrapassarem os 45%.
“Estes dados confirmam a existência de uma ‘lacuna verde’, na qual as cidades mais ricas do centro-norte da Europa têm cerca do dobro da probabilidade de cumprir estes padrões de arborização em comparação com as suas congéneres de menor rendimento no sul e leste europeu”, concluem os analistas.
Para responder a estes desafios, o estudo recomenda o reforço de florestas periurbanas, a expansão de programas de plantação de árvores em áreas residenciais e privadas e a aposta em soluções como telhados e paredes verdes. A promoção de transportes sustentáveis poderá também libertar espaço urbano atualmente ocupado por infraestruturas rodoviárias.
O princípio “3-30-300” é apontado como uma ferramenta prática para orientar políticas públicas, permitindo avaliar o estado da vegetação urbana, acompanhar a evolução e promover um acesso mais equitativo à natureza nas cidades europeias.
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