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Renováveis asseguraram consumo energético durante 23 dias no arranque do ano
Último boletim da APREN mostra que peso de 78,5% na produção elétrica coloca Portugal no topo europeu e ajuda a manter preços entre os mais baixos da Europa.
13 Abr 2026 - 12:01
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Portugal produziu 78,5% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis no primeiro trimestre de 2026, um valor que coloca o país novamente no terceiro lugar entre os mercados europeus com maior incorporação renovável, segundo dados divulgados pela APREN – Associação de Energias Renováveis. O desempenho traduz-se também em 571 horas, o equivalente a cerca de 23 dias, em que a produção renovável foi suficiente para assegurar a totalidade do consumo elétrico nacional.
Os dados constam do mais recente boletim da associação, que frisa a “maturidade e resiliência” do sistema elétrico português num contexto europeu ainda marcado por preços elevados da energia. Entre janeiro e março, o preço médio da eletricidade no mercado ibérico (MIBEL) fixou-se em 41,9 euros por megawatt-hora (€/MWh), mantendo Portugal entre os países com energia mais barata na Europa, onde muitos mercados ultrapassaram os 90 €/MWh no mesmo período, como adiciona a APREN.
O contributo das renováveis teve também impacto direto na balança energética. No conjunto do trimestre, permitiu evitar cerca de 239 milhões de euros em importações de gás natural, 324 milhões em eletricidade importada e 166 milhões em licenças de emissão de dióxido de carbono.
No plano europeu, apenas a Noruega e a Dinamarca superaram Portugal na incorporação de renováveis na produção elétrica, reforçando a posição do país entre os líderes da transição energética.
Produção hídrica em destaque
Março manteve a tendência, com 77,2% da eletricidade gerada a partir de fontes renováveis. A produção hídrica destacou-se, representando 37,1% do total, seguida da eólica, com 25,9%, num mês marcado por condições típicas de inverno e elevada disponibilidade de água. Ainda assim, a produção elétrica total recuou 7,2% face a março de 2025, sobretudo devido à menor produção eólica e à redução do recurso ao gás natural.
Durante o último mês, registaram-se 166 horas em que as renováveis asseguraram integralmente o consumo. O preço médio mensal do MIBEL situou-se nos 51,8 €/MWh, mantendo-se competitivo no contexto europeu, indica o boletim.
A evolução do sistema elétrico português reflete também o crescimento da capacidade instalada. Entre 2016 e fevereiro de 2026, a potência renovável aumentou 79,5%, com especial destaque para a energia solar fotovoltaica. No final de fevereiro, as renováveis representavam já cerca de 79,1% da capacidade total instalada no país.
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