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Restaurar a natureza na Europa pode gerar benefícios 10 vezes superiores ao investimento
Consultivo Científico das Academias Europeias estima que investimento de 150 mil milhões de euros traz benefícios superiores a 1,8 biliões para a economia, saúde e segurança da Europa. Atualmente, apenas 1,4% da paisagem é floresta intocada e apenas 3,3% tem intervenção humana mínima.
16 Jan 2026 - 15:16
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A restauração dos ecossistemas degradados da Europa poderá gerar benefícios pelo menos dez vezes superiores ao seu custo, conclui o Conselho Consultivo Científico das Academias Europeias (EASAC, na sigla inglesa) num novo comentário científico. Segundo o documento, o investimento necessário ronda os 150 mil milhões de euros, mas os ganhos económicos, sociais e ambientais ultrapassam os 1,8 biliões de euros.
O estudo surge num contexto de aumento dos danos provocados por fenómenos climáticos extremos, maior pressão sobre as finanças públicas e debates intensos sobre competitividade e segurança no espaço europeu. Para os cientistas, aplicar plenamente o Regulamento da União Europeia sobre a Restauração da Natureza não é apenas uma obrigação legal, mas um investimento estratégico na resiliência da Europa.
Os benefícios identificados incluem a redução de perdas causadas por cheias, secas e incêndios, melhorias significativas na saúde pública, maior resiliência climática e reforço da segurança alimentar e da água.
“A restauração da natureza não é um luxo ambiental. É uma gestão básica de riscos”, afirma o Thomas Elmqvist, diretor do Programa de Ambiente da EASAC e autor principal do comentário científico. “Numa altura em que a Europa gasta milhares de milhões a responder a cheias, secas, incêndios florestais e impactos na saúde, restaurar ecossistemas é um dos investimentos preventivos mais inteligentes que podemos fazer”, acrescenta.
Europa degradada e modelo económico obsoleto
O relatório alerta ainda para o elevado nível de degradação dos ecossistemas europeus: apenas 1,4% das florestas permanecem intactas e só 3,3% do território europeu tem intervenção humana mínima. Esta degradação está diretamente ligada ao aumento de custos económicos e sociais, suportados por cidadãos, seguradoras e Estados, sustenta a análise.
Os modelos económicos de longa data que tratam a natureza como descartável já não refletem a evidência científica, destaca a análise.
O EASAC defende que ecossistemas saudáveis sustentam a economia, na medida em que protegem infraestruturas, estabilizam os sistemas alimentares e reduzem a despesa pública em resposta a desastres e em cuidados de saúde. “Ignorar o papel económico da natureza é um erro económico e estratégico grave”, afirma Elmqvist. “A economia neoclássica continua a desvalorizar o papel da natureza e da biodiversidade no desenvolvimento económico. Mas quando os ecossistemas falham, os custos recaem sobre os cidadãos, as seguradoras e os governos”, acrescenta o investigador.
Como saída, o EASAC identifica ações prioritárias em paisagens agrícolas, florestas e turfeiras, defendendo políticas públicas integradas que tratem a natureza como um ativo estratégico essencial para a economia europeia.
Os cientistas deixam também um aviso claro: adiar ou enfraquecer a aplicação do Regulamento da Restauração da Natureza aumentará os riscos climáticos, económicos e de saúde. “Recuos ambientais não eliminam custos, apenas os transferem para o futuro”, sublinha, por sua vez, Fiona Regan, copresidente do Comité de Ambiente da EASAC.
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