3 min leitura
Cientistas dinamarqueses transformam resíduos plásticos em material para captura de CO₂
Nova tecnologia converte garrafas e tecidos descartados em recurso sustentável capaz de combater simultaneamente a poluição plástica e a crise climática.
16 Set 2025 - 14:57
3 min leitura
Foto: Freepik
- Consulta pública do Pro-Rios arranca para restaurar mais de 1.500 quilómetros de linhas de água até 2030
- Associação da aviação pede coordenação perante risco de racionamento de combustível
- Bruxelas lança primeiras 21 medidas do Pacto para o Mediterrâneo
- BEI, FMI e Banco Mundial querem alavancar nova cadeia global de minerais críticos
- Startup norte-americana cria solução para prever incêndios florestais com inteligência artificial
- UE reduz emissões de gases com efeito de estufa em 40% desde 1990
Foto: Freepik
Cientistas da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, desenvolveram um método inovador que transforma resíduos plásticos PET em BAETA, um material altamente eficiente na captura de dióxido de carbono (CO₂). A descoberta, publicada na revista Science Advances, promete oferecer uma solução dupla para dois dos maiores desafios globais: o excesso de plásticos no ambiente e o aumento das emissões de gases com efeito de estufa.
“A beleza deste método é que resolvemos um problema sem criar outro. Ao transformar resíduos em matéria-prima que pode reduzir ativamente os gases de efeito de estufa, tornamos uma questão ambiental parte da solução para a crise climática”, explica Margarita Poderyte, investigadora do Departamento de Química da Universidade de Copenhaga e autora principal do estudo.
O plástico PET, usado em garrafas, tecidos e embalagens, é um dos mais produzidos no mundo, mas quando descartado acaba muitas vezes em aterros, oceanos ou decomposto em microplásticos nocivos. A nova tecnologia converte esse resíduo em BAETA, um material pulverulento e quimicamente adaptado que consegue capturar CO₂ de forma eficiente e sustentável.
Segundo os investigadores, o processo é energeticamente eficiente, escalável e flexível. “Uma das coisas impressionantes sobre este material é que ele permanece eficaz por muito tempo. Funciona desde a temperatura ambiente até cerca de 150 graus Celsius, o que o torna muito útil em contextos industriais”, sublinha Jiwoong Lee, coautor do estudo e professor associado no mesmo departamento.
O objetivo é aplicar a tecnologia em larga escala, instalando unidades BAETA em chaminés industriais para filtrar as emissões. Uma vez saturado, o material pode libertar o CO₂ capturado através de aquecimento, permitindo o armazenamento ou reaproveitamento do gás.
Apesar do potencial, os cientistas alertam que o maior desafio não é técnico, mas económico: atrair investimento para produzir BAETA em toneladas e implementar a solução a nível industrial.
Ainda assim, Poderyte mostra-se confiante: “Vemos um grande potencial para este material, não apenas em laboratório, mas também em centrais industriais. O próximo passo é aumentar a escala e tornar a invenção um empreendimento comercial financeiramente sustentável.”
Além da captura de carbono, os investigadores acreditam que a tecnologia pode criar um incentivo económico concreto para limpar os oceanos de plástico PET degradado, transformando um dos maiores problemas ambientais numa fonte de valor.
- Consulta pública do Pro-Rios arranca para restaurar mais de 1.500 quilómetros de linhas de água até 2030
- Associação da aviação pede coordenação perante risco de racionamento de combustível
- Bruxelas lança primeiras 21 medidas do Pacto para o Mediterrâneo
- BEI, FMI e Banco Mundial querem alavancar nova cadeia global de minerais críticos
- Startup norte-americana cria solução para prever incêndios florestais com inteligência artificial
- UE reduz emissões de gases com efeito de estufa em 40% desde 1990