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UE poderá reduzir dependência externa de matérias críticas através da reciclagem de resíduos

Novo relatório do JCR mostra que resíduos como baterias, veículos e equipamentos elétricos têm elevado potencial de transformação em matérias críticas, necessárias para tecnologias fundamentais, como veículos elétricos e smartphones.

02 Jun 2026 - 13:30

4 min leitura

Foto: Freepik

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A União Europeia (UE) pode vir a reduzir a sua dependência de países terceiros para o fornecimento de matérias-primas críticas, graças à recuperação e reciclagem de resíduos como baterias, veículos e equipamentos elétricos, mostra um novo relatório do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia (JRC, na sigla em inglês).

Segundo o relatório, estes resíduos têm um grande potencial de transformação, dado incluirem matérias críticas, como lítio, cobalto, níquel e outros metais, elementos necessários para a produção e veículos elétricos e turbinas eólicas até drones e smartphones.

Atualmente, a União Europeia depende fortemente do fornecimento de minerais críticos por parte de países terceiros e, com o aumento da procura destas tecnologias, a pressão sobre a UE para garantir o acesso a estas matérias-primas será cada vez maior, subloinha o JRC em comunicado.

“Ao manter as matérias-primas críticas dentro do continente europeu, a UE terá uma oportunidade para reforçar a economia circular e a competitividade europeia, reduzindo simultaneamente a sua exposição a perturbações no abastecimento”, afirma o JRC.

O novo relatório identifica uma lista de produtos, componentes e fluxos de resíduos com elevado potencial de circularidade para matérias-primas críticas, tais como os ímanes permanentes das turbinas eólicas, o cobalto e o lítio presentes nas baterias de veículos elétricos e os componentes de alumínio dos veículos.

Esta lista pretende ajudar os Estados-Membros da UE a dar prioridade aos principais fluxos de resíduos com potencial de recuperação e a identificar lacunas nos atuais sistemas de tratamento de resíduos. Além disso, destaca desafios e oportunidades para uma cadeia de valor das matérias-primas mais circular e estrategicamente independente.

Para recuperar internamente matérias-primas estratégicas, a UE teria de melhorar a recolha e o processamento de resíduos. No entanto, o JRC evidencia lacunas atualmente existentes no tratamento dos resíduos provenientes de determinados produtos. Por exemplo, os pequenos equipamentos elétricos e eletrónicos são responsáveis por perdas significativas de matérias-primas estratégicas e críticas, já que 46% do total destas matérias-primas presentes nesses produtos se perde durante a fase de recolha.

Ainda assim, objetos domésticos comuns, como discos rígidos e cabos, poderão ter um elevado potencial de recuperação se forem corretamente recolhidos e tratados.

Além disso, o relatório demonstra que as matérias-primas críticas utilizadas nas baterias de veículos elétricos e nas turbinas eólicas muitas vezes não são recuperadas de forma adequada. Como consequência, verifica-se uma perda significativa de matérias-primas críticas quando estes produtos atingem o fim da sua vida útil.

Outro exemplo são os ímanes permanentes utilizados nas turbinas eólicas, que tendem a perder-se nos fluxos de resíduos de aço e alumínio processados em massa, em vez de serem recuperados separadamente. O JRC estima que estas perdas aumentem de 1,9 mil toneladas por ano em 2022 para cerca de 45 mil toneladas por ano em 2030, quando o primeiro grande lote de turbinas atingir o fim da sua vida útil.

O Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas, aprovado em 2024, exige que os Estados-Membros desenvolvam programas nacionais de circularidade dirigidos a fluxos específicos de resíduos. Segundo o JRC, este relatório serve para ajudar os governos a implementar programas eficazes, “facilitando a identificação de lacunas na legislação, nos processos e nos dados existentes, bem como o aproveitamento do potencial de circularidade”.

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