Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

4 min leitura

Circularidade ou vulnerabilidade: a escolha económica da próxima década

A economia circular é cada vez mais uma solução clara: mais do que um conceito utópico, é hoje uma necessidade estratégica para a resiliência e para a competitividade. Por Daniela Lima, gestora de Conhecimento e Formação do BCSD Portugal

20 Mar 2026 - 07:30

4 min leitura

Daniela Lima, gestora de Conhecimento e Formação do BCSD Portugal

Daniela Lima, gestora de Conhecimento e Formação do BCSD Portugal

Repetidamente temos tido provas da fragilidade do nosso sistema económico. O agravamento das tensões geopolíticas e a crescente competição por recursos tornam cada vez mais evidente o risco de disrupção nas cadeias de fornecimento de materiais críticos, num contexto em que a economia mundial está profundamente interligada. É claro que a forma como produzimos e consumimos recursos precisa de evoluir. A economia circular é cada vez mais uma solução clara: mais do que um conceito utópico, é hoje uma necessidade estratégica para a resiliência e para a competitividade.

Recentemente, começam a surgir sinais encorajadores quanto ao caminho a seguir.

O lançamento do Global Circularity Protocol representa um passo relevante na maturação da agenda da circularidade a nível mundial. Desenvolvido pelo WBCSD e parceiros, o protocolo é um dos primeiros frameworks que apresenta uma forma padronizada para medir, gerir e comunicar o desempenho das empresas em matéria de circularidade, seja qual for a sua geografia, setor ou dimensão. O objetivo é dar resposta à ausência de métricas consistentes e comparáveis que permitam avaliar o progresso real das organizações na utilização eficiente de recursos e na redução do desperdício ao longo das cadeias de valor.

Tal como o GHG Protocol se tornou uma referência global para a contabilização de emissões de gases com efeito de estufa, o Global Circularity Protocol tem o potencial de estabelecer um referencial comum para a gestão de fluxos de materiais e poderá facilitar a integração dos critérios de circularidade na tomada de decisão empresarial, no financiamento sustentável e nas políticas públicas.

Ao nível nacional, encontramo-nos também num momento relevante desta transição. Atualmente, com algumas das taxas de produtividade dos recursos e taxa de utilização de materiais secundários mais baixas da Europa, Portugal tem um vasto potencial económico ainda por explorar. É esse potencial que o novo Plano de Ação para a Economia Circular (PAEC) para o horizonte 2030 se compromete a realizar, propondo o reforço de instrumentos de financiamento e incentivos fiscais, entre outras medidas. O PAEC irá procurar transformar os modelos produtivos e reforçar a competitividade através da regeneração e valorização de produtos e materiais que estamos, neste momento, a descartar.

Paralelamente, já começam a ser implementados instrumentos concretos que procuram alterar padrões de produção e consumo, como o Sistema de Depósito e Reembolso de Embalagens de Bebidas em Portugal, um mecanismo já amplamente utilizado noutros países europeus para melhorar as taxas de recolha e valorização de embalagens.

Ainda assim, importa reconhecer que a circularidade não se esgota na gestão de resíduos ou na reciclagem. A verdadeira transformação ocorre a montante, no design de produtos, na extensão da vida útil, na reutilização e na criação de novos modelos de negócio que se baseiam em serviços e plataformas. Sem estas mudanças estruturais, corre-se o risco de reduzir a economia circular a um exercício incremental de gestão de resíduos.

No contexto desafiante que vivemos atualmente, o desafio que se coloca a Portugal e à Europa é o de transformar o risco em oportunidade: tornar iniciativas isoladas num sistema coerente de políticas públicas, instrumentos financeiros e métricas credíveis. O verdadeiro impacto dependerá da capacidade de os articular numa estratégia económica consistente que coloque a eficiência de recursos no centro da competitividade, um desafio que ganha especial significado para o BCSD Portugal neste ano em que celebra 25 anos a ajudar as empresas a transformar de forma sistémica os seus negócios em negócios que beneficiam as pessoas e o planeta.

 

Nota: Daniela Lima escreve no âmbito de uma parceria mensal entre o BCSD e o Jornal PT Green dedicada à análise de temas de sustentabilidade.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade