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Crescimento de 22% ao ano dos centros de dados ameaça recursos naturais e expansão tecnológica
Setor tecnológico poderá gerar 744 mil milhões de euros até 2030 se reduzir impactos ambientais, melhorar gestão de recursos e superar a oposição das comunidades a projetos de centros de dados, revela o Fórum Económico Mundial.
07 Jan 2026 - 09:40
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O rápido crescimento dos centros de dados e de produção de hardware coloca em risco recursos naturais críticos e a própria expansão económica do setor tecnológico, alerta um relatório do Fórum Económico Mundial (FEM). Atualmente existem mais de 11 mil centros de dados em operação em todo o mundo, cuja procura deverá crescer entre 19% e 22% ao ano até 2030.
O FEM refere que o crescimento do setor tecnológico se mantém robusto, impulsionado pela inteligência artificial (IA), computação na ‘cloud’, eletrónica de alto desempenho e inovações emergentes, como a computação quântica. Porém, esta expansão acarreta uma pegada ambiental significativa, incluindo consumo intensivo de água, poluição, resíduos, emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e pressões sobre a terra.
Para além dos recursos exigidos pelos centros de dados, o FEM aponta também que todos os anos são vendidos mais de 1 trilião de chips, usados em smartphones, carros e outros dispositivos do quotidiano. A produção de semicondutores consome mais de 930 mil milhões de litros de água por ano e depende da mineração de metais e minerais críticos. Os centros de dados globais consomem mais de 55 gigawatts de energia, ultrapassando o pico de consumo da Califórnia. A produção de hardware gera mais de 56 mil milhões de quilos de resíduos eletrónicos, dos quais menos de um quarto é reciclado.
O relatório alerta que estas pressões sobre recursos naturais podem comprometer a eficiência operacional e a resiliência do setor tecnológico, caso práticas sustentáveis não sejam rapidamente implementadas. Entre as soluções propostas estão o aumento da eficiência energética e hídrica, a adoção de produção circular, a utilização de energias renováveis e inovações como sistemas de refrigeração líquida em centros de dados, capazes de reduzir emissões de GEE em até 21%.
O relatório ‘Nature Positive: Role of the Technology Sector’, elaborado em colaboração com a consultora Oliver Wyman, estima que o setor tecnológico poderá desbloquear até 744 mil milhões de euros em valor ao longo da cadeia de produção até 2030, caso adote práticas que protejam a natureza e aumentem a resiliência ambiental. Esta cifra faz parte de uma oportunidade de negócio global estimada em 9,4 biliões de euros, se soluções positivas para a natureza forem amplamente implementadas pelo setor privado.

Gráfico: Densidade de servidores por ‘rack’ nos centros de dados, indicando a quantidade de servidores ou energia consumida e tendências de crescimento.
Mais de metade deste valor estimado provém de atividades a montante, incluindo expansão de energias renováveis, recuperação de materiais e produção circular de eletrónica e eletrodomésticos. Um terço adicional surge de investimentos em infraestrutura e ambiente construído, como edifícios energeticamente eficientes, medição inteligente, reutilização de águas residuais e construção sustentável. O restante poderá vir de restauração da natureza, uso sustentável do solo e oportunidades de eficiência energética intersetorial através de inovação digital.
Segundo Pim Valdre, responsável pelo Clima e Economia da Natureza no FEM, “as empresas que investem na natureza e fazem a transição para modelos de negócio neutros em carbono, positivos para a natureza e resilientes serão mais capazes de gerir riscos e obter vantagens competitivas”.
Sete ações para reduzir impacto ambiental da tecnologia
O relatório recomenda sete ações práticas para reduzir impactos ambientais e dependências da natureza relacionadas com a gestão da água, poluição e resíduos, uso do solo, emissões de GEE, consumo de energia, cadeias de fornecimento e envolvimento em políticas.
Empresas que investem em modelos de negócio resilientes e positivos para a natureza poderão melhorar a gestão de riscos, obter vantagens competitivas e ganhar maior apoio de comunidades, reguladores, clientes e investidores, apura o relatório.
Por exemplo, o setor tecnológico é atualmente responsável por cerca de 4% do consumo energético global. Ao aumentar a produção de energia renovável, melhorar a eficiência energética e hídrica e desenvolver modelos de produção circular e de reciclagem, o setor pode reduzir os seus impactos sobre a natureza. A adoção de inovações, como a refrigeração líquida em centros de dados, pode reduzir as emissões de GEE até 21%, enquanto iniciativas de recuperação circular de materiais têm alcançado até 95% de redução de emissões em comparação com a extração de matérias-primas virgens.
“O setor tecnológico tem a oportunidade de liderar tanto no crescimento económico como na transição positiva para a natureza, mas não há tempo a perder”, refere Nick Studer, presidente da Oliver Wyman.
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