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Crise de competitividade na indústria europeia de plásticos está a atrasar transição circular
“A indústria está à beira do colapso competitivo, os alarmes deviam soar em Bruxelas”, diz diretora-geral da Plastics Europe. Setor queixa-se de custos energéticos elevados, as taxas climáticas e o preço das matérias-primas.
09 Out 2025 - 08:34
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A indústria europeia dos plásticos está a atravessar uma crise de competitividade, o que está a atrasar a sua transição para uma economia mais circular. De acordo com o relatório Plastics the Fast Facts 2025, publicado nesta quarta-feira, a produção na Europa estabilizou ligeiramente em 2024 (+0,4%, para 54,6 milhões de toneladas), mas o peso europeu no mercado global continua em queda, de 22% em 2006 para apenas 12% em 2024.
O volume de negócios também caiu 13% em dois anos, passando de 457 mil milhões de euros em 2022 para 398 mil milhões em 2024, segundo a análise da Plastics Europe. Em contraste, a produção mundial aumentou 4,1% no último ano e 16% desde 2018, impulsionada sobretudo pela Ásia, que agora representa 57% da produção global. Só a China já fabrica mais de um terço dos plásticos do mundo (34,5%), quase o triplo do total europeu.
“Enquanto a inovação e o investimento aceleram noutros continentes, a Europa enfrenta quebras de faturação e produção. É urgente um apoio político robusto para revitalizar o investimento e garantir cadeias de abastecimento resilientes e competitivas”, alertou o presidente da Plastics Europe, Benny Mermans. Acrescentou que são essenciais medidas “rápidas e decisivas”, a fim de “proteger o futuro da produção local e dos setores estratégicos que dela dependem”.
A indústria aponta como principais obstáculos os custos energéticos elevados, as taxas climáticas e o preço das matérias-primas, que estão a empurrar empresas para vendas de ativos e encerramentos de fábricas.
Apesar de uma ligeira melhoria na balança comercial, com o défice a passar de 0,8 para 0,2 milhões de toneladas, a concorrência internacional e as novas tarifas globais continuam a ameaçar o setor, indica o relatório. Os Estados Unidos são já o principal fornecedor de polímeros à Europa (18,9% do mercado) e um dos maiores destinos das exportações europeias (7,7%).
“A indústria está à beira do colapso competitivo, os alarmes deviam soar em Bruxelas e nas capitais europeias. Os decisores políticos têm de escolher: queremos liderar a primeira economia circular dos plásticos ou descarbonizar à custa da desindustrialização? O Clean Industrial Deal tem de avançar mais depressa”, avisou a diretora-geral da Plastics Europe, Virginia Janssens.
A Plastics Europe defende uma estratégia europeia imediata, com medidas para reduzir os custos energéticos, reforçar o controlo nas fronteiras, apoiar o investimento em produção circular e criar metas ambiciosas de incorporação de material reciclado. Propõe ainda um observatório comercial para vigiar em tempo real as importações e exportações do setor.
“A nossa transição para uma economia circular e de baixo carbono está a estagnar por falta de apoio político claro. Todas as tecnologias de reciclagem e medidas eficazes de estímulo ao mercado são essenciais para alcançar a escala necessária. O nosso Plastics Transition Roadmap mostra como é possível atingir um sistema circular e neutro em carbono, mas isso só acontecerá se garantirmos hoje uma indústria europeia dos plásticos competitiva”, acrescentou Virginia Janssens.
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