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Declaração de Hamburgo: um pacto de segurança energética e energia limpa no Mar do Norte
Dez países europeus assinaram um acordo histórico para desenvolver 100 GW de energia eólica offshore e reforçar a segurança energética, promovendo cooperação tecnológica e criação de empregos.
26 Jan 2026 - 15:53
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Líderes da Alemanha, França, Bélgica, Dinamarca, Países Baixos, Luxemburgo, Irlanda, Islândia, Noruega e Reino Unido assinaram nesta segunda-feira um acordo histórico para garantir energia limpa no Mar do Norte.
O objetivo da denominada Declaração de Hamburgo é desenvolver 100 GW de projetos conjuntos de energia eólica offshore, incluindo ativos híbridos que ligam parques eólicos a mais de um país através de interligadores elétricos.
O pacto surge numa altura de crescente instabilidade global e segue um leilão recorde de energia renovável realizado pelo Reino Unido, que garantiu 8,4 GW de energia eólica offshore, o maior da história da Europa, gerando 7.000 empregos e atraindo 22 mil milhões de libras em investimento privado para fábricas e portos britânicos.
Estes projetos conjuntos permitirão aos países do Mar do Norte partilhar energia limpa de forma eficiente, reforçar a segurança energética, reduzir a dependência de combustíveis fósseis e posicionar empresas britânicas e europeias na vanguarda da tecnologia de redes, segundo refere o Governo britânico em comunicado.
Ed Miliband, secretário da Energia do Reino Unido, destaca que este pacto “pode libertar o Reino Unido da dependência dos combustíveis fósseis e dar-nos soberania e abundância energética. Depois do nosso leilão recorde de renováveis, hoje fomos mais longe ao assinar um pacto de segurança energética limpa com aliados europeus para garantir que maximizamos o potencial de energia limpa para o Mar do Norte”.
Especialistas da indústria elogiaram o pacto como um passo decisivo para a integração energética na região do Mar do Norte. No mesmo comunicado, Enrique Cornejo, diretor de Política Energética da Offshore Energies UK, destaca que “num mundo cada vez mais volátil, este acordo estabelece metas ambiciosas para a colaboração em energia eólica offshore entre o Reino Unido e a Europa. 100 GW destes projetos conjuntos tornar-se-ão uma parte importante da nossa matriz energética partilhada do Mar do Norte, que incluirá petróleo, gás e também hidrogénio nas próximas décadas”.
Por sua vez, Jane Cooper, vice-CEO da RenewableUK, refere que “esta declaração histórica coloca a energia eólica offshore no coração do sistema energético europeu, com o Reino Unido a liderar o caminho. Estamos a reforçar a colaboração em segurança para garantir que a infraestrutura energética crítica do Mar do Norte esteja protegida, de modo a continuar a gerar grandes quantidades de energia limpa necessárias para o Reino Unido e os nossos vizinhos, de forma fiável, em todos os momentos”.
EUA e Europa: políticas energéticas divergentes
Este esforço conjunto europeu ganha ainda mais relevo num contexto de crescente divergência com a política energética dos Estados Unidos. Apesar de insistentes críticas do presidente norte‑americano às energias renováveis, os governos europeus reafirmaram em Hamburgo a sua aposta na expansão da energia eólica offshore como pilar central da segurança e autonomia energética.
As diferenças de abordagem entre os blocos ficam patentes não apenas nas declarações políticas, mas também nas prioridades estratégicas: enquanto a Europa persiste no reforço das suas metas climáticas e energéticas para 2050, os Estados Unidos vivem tensões internas com políticas energéticas que favorecem combustíveis fósseis e criticam investimentos em renováveis. Recorde-se que, nas últimas semanas, Trump tem bloqueado ou revertido projetos de energia eólica offshore, nomeadamente através de restrições a licenças federais, e reiterado o apoio aos combustíveis fósseis, defendendo o aumento da exploração de petróleo, gás e carvão. O líder norte-americano tem criticado abertamente as energias renováveis, que considera pouco fiáveis e prejudiciais para a economia, posicionando-se contra políticas de descarbonização.
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