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Dia Europeu sem Carros: ZERO alerta para aumento de 3% no tráfego rodoviário em Portugal
Segundo a associação, o tráfego rodoviário em Portugal aumentou 3% no primeiro semestre de 2026, enquanto o consumo de combustíveis rodoviários cresceu 1,7% no ano móvel terminado em julho.
22 Set 2026 - 11:36
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No Dia Europeu sem Carros, que se assinala nesta terça-feira, a associação ambientalista ZERO alerta para o crescimento da circulação rodoviária e do consumo de combustíveis em Portugal, apesar da subida dos preços.
De acordo com a ZERO, o tráfego rodoviário em Portugal aumentou 3% no primeiro semestre de 2026, enquanto o consumo de combustíveis rodoviários cresceu 1,7% no ano móvel terminado em julho.
Para a organização, os dados do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) e da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) mostram que o país “está a afastar-se cada vez mais das metas climáticas para o ano de 2030″.
No ano móvel terminado em julho de 2026 foram consumidas 5,986 milhões de toneladas de combustíveis rodoviários, mais 1,7% do que no período homólogo, segundo a DGEG. O gasóleo representou 4,532 milhões de toneladas, mais 0,7%, enquanto o consumo de gasolina aumentou 4,7%, para 1,386 milhões de toneladas. Já o GPL registou um crescimento de 14,3%, para 68 mil toneladas.
Para a ZERO, a subida do consumo acompanha o aumento da circulação rodoviária. No primeiro semestre de 2026, foram percorridos 13,2 mil milhões de veículos-quilómetro nas principais estradas analisadas pelo IMT, contra 12,8 mil milhões no mesmo período de 2025. Ao todo, são mais 388 milhões de veículos-quilómetro, ou 3%.
No segundo trimestre, a circulação aumentou 2,5% face aos primeiros três meses do ano, correspondendo a mais 175 milhões de veículos-quilómetro. Em termos mensais, o crescimento foi de 3,4% em abril, 2,6% em maio e 1,7% em junho.
Além disso, a subida foi generalizada nas vias analisadas pelo IMT. Das 47 estradas consideradas, 46 registaram mais tráfego em abril, 35 em maio e 39 em junho.
Para a ZERO, o aumento da circulação ajuda a explicar o crescimento do consumo de combustíveis. A associação considera que a eletrificação e a maior eficiência dos veículos terão contribuído para amortecer esse efeito, uma vez que a circulação aumentou 3%, enquanto o consumo cresceu 1,7%.
A associação relaciona também a evolução da circulação com o crescimento da atividade turística. No primeiro semestre de 2026, Portugal recebeu 15,1 milhões de hóspedes e registou 36,8 milhões de dormidas, mais 2,1% e 1,3%, respetivamente, face ao mesmo período de 2025.
Segundo a ZERO, este crescimento contribui para aumentar a circulação de veículos de rent-a-car, táxis, TVDE e autocarros turísticos. A associação ressalva, contudo, que os dados disponíveis não permitem quantificar a contribuição destes segmentos para a subida do consumo de combustíveis.
A associação considera que eletrificação continua a representar uma parcela reduzida da circulação. Com base em dados da DGEG, IMT e MOBI.E, a ZERO estima que sejam percorridos anualmente cerca de 94 mil milhões de quilómetros em veículos de combustão e três mil milhões em veículos totalmente elétricos. De acordo com esta estimativa, cerca de 97% da circulação continua dependente de combustíveis.
A ZERO aponta ainda o congestionamento, o envelhecimento do parque automóvel e a dispersão residencial associada ao preço da habitação como fatores que podem contribuir para consumos mais elevados e deslocações mais longas. No entanto, salienta que a falta de informação atualizada impede quantificar o peso de cada um.
A associação defende também a necessidade de dados mais detalhados sobre mobilidade, nomeadamente por rendimento, território, motivo da viagem, distância, modo de transporte e disponibilidade de alternativas, para identificar situações de pobreza de mobilidade e distinguir entre a utilização opcional do automóvel e aquela que resulta da falta de alternativas.
Para a ZERO, a evolução do tráfego e do consumo de combustíveis ocorre num contexto de dificuldades no cumprimento das metas climáticas nacionais para 2030.
Em 2024, o setor dos transportes, que inclui aviação, navegação, rodovia e ferrovia, emitiu 18,1 milhões de toneladas de CO2 equivalente, segundo os dados citados pela ZERO. O valor corresponde a uma redução de 9% face a 2005, enquanto a meta estabelecida no Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC) para 2030 prevê uma redução de 40%.
Para o período anual terminado em julho de 2026, a ZERO estima emissões rodoviárias próximas de 17,4 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Segundo os cálculos da associação, este valor está cerca de 5,4 milhões de toneladas acima dos aproximadamente 12 milhões de toneladas de CO2 equivalente que resultariam da aplicação da meta de redução de 40% do PNEC às emissões dos transportes de 2005.
A ZERO estima que, para reduzir as emissões rodoviárias de 17,4 milhões para cerca de 12 milhões de toneladas até 2030, seria necessária uma redução média próxima de 9% ao ano. A associação salienta, contudo, que o esforço terá de ser superior, uma vez que a meta abrange todo o setor dos transportes e não apenas a circulação rodoviária.
ZERO defende reforço dos transportes públicos
Perante o aumento da circulação, a ZERO defende que a resposta deve passar por reduzir os quilómetros percorridos com recurso a combustíveis fósseis e reforçar as alternativas ao automóvel.
Entre as medidas propostas estão o aumento da capacidade, frequência e cobertura dos transportes públicos rodoviários e ferroviários, a criação de corredores reservados para autocarros, a integração tarifária, o transporte a pedido integrado nos passes e a melhoria das interfaces. A associação defende também uma maior gestão do estacionamento e da circulação automóvel.
Para o setor turístico, a ZERO propõe a eletrificação prioritária de táxis, TVDE, veículos de rent-a-car e autocarros turísticos, bem como a aplicação de parte das taxas turísticas no transporte coletivo.
Na área das mercadorias, as propostas passam pela criação de centros de consolidação logística, partilha de cargas, redução dos percursos vazios, entregas urbanas elétricas e transferência de operações de longa distância para a ferrovia.
A subida dos preços dos combustíveis é também abordada pela associação. Em julho de 2026, os preços dos combustíveis e lubrificantes para transporte pessoal na União Europeia estavam 16,9% acima dos registados um ano antes, segundo o Eurostat.
A ZERO contesta, neste contexto, descidas generalizadas do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) ou do IVA sobre os combustíveis. De acordo com os cálculos da associação, o consumo anual de combustíveis rodoviários ronda os 7,3 mil milhões de litros, pelo que cada cêntimo de redução fiscal representaria cerca de 73 milhões de euros por ano.
“Um desconto de dez cêntimos custaria aproximadamente 730 milhões por ano ao Estado e beneficiaria mais quem possui vários automóveis ou percorre maiores distâncias”, afirma a associação em comunicado.
Como exemplo, a associação propõe a atribuição de 150 euros a um milhão de agregados vulneráveis, com um custo de 150 milhões de euros, tendo em conta critérios como rendimento, distância ao emprego, inexistência de transporte público, incapacidade e dependência do automóvel.
A ZERO defende ainda que os apoios destinados a transportadores, táxis, bombeiros e instituições sociais sejam calculados por veículo operacional ou serviço essencial, em vez de serem atribuídos em função dos litros de combustível consumidos.
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Segundo a proposta apresentada pela associação, os restantes cerca de 580 milhões de euros deveriam ser canalizados para reforçar o transporte público, eletrificar frotas com elevada utilização, apoiar infraestruturas de carregamento, integrar o transporte a pedido nos passes e melhorar a logística.
Por fim, a ZERO considera necessária a criação de passes adequados a utilizações menos frequentes, nomeadamente para trabalhadores em regime de teletrabalho que se deslocam ao local de emprego apenas alguns dias por semana.
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