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ZERO alerta que flexibilização da proibição de veículos a combustão em 2035 é “retrocesso ambiental”
Associação apela a políticos portugueses para defenderem metas rigorosas de descarbonização, destacando riscos para clima, saúde pública e competitividade industrial da Europa.
17 Dez 2025 - 13:30
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Foto: Freepik
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A ZERO critica a proposta da Comissão Europeia (CE) de revisão do regulamento que enfraquece a proibição de venda de veículos novos movidos a combustíveis fósseis a partir de 2035, classificando-a como “um dos maiores retrocessos nas políticas ambientais da União Europeia nos últimos anos”.
A nova proposta, apresentada nesta terça-feira pela Comissão Europeia, também referida como Omnibus Automóvel, revê as normas de emissões de CO₂ e introduz novas flexibilidades para os fabricantes. Ou seja, a partir de 2035, os construtores automóveis terão de cumprir uma meta de redução de 90% das emissões de CO₂ nos veículos novos vendidos na União Europeia. Trata-se de uma cedência à pressão do setor, abandonando-se a meta de 100% inicialmente prevista de venda de carros não poluentes a partir de 2035.
Para a associação ambientalista, este recuo compromete os objetivos de neutralidade carbónica da União Europeia até 2050, aumenta a poluição do ar e coloca em risco a saúde pública, contribuindo para doenças respiratórias, cardiovasculares e milhares de mortes prematuras evitáveis.
“Os transportes representam 25% das emissões de gases com efeito de estufa na Europa e mais de 34% em Portugal, sendo que o transporte rodoviário é o sector da economia mais problemático. Este recuo compromete os objetivos da UE de neutralidade carbónica até 2050 e coloca em risco a meta intermédia de redução das emissões de CO₂ em 2030. Por outro lado, a prorrogação das vendas de veículos a biocombustíveis ou combustíveis sintéticos implica emissões adicionais de poluentes atmosféricos, com consequências diretas para a saúde pública”, refere em comunicado.
Além do impacto ambiental, a ZERO alerta para consequências económicas e industriais. Na sua perspetiva, a flexibilização ameaça o ritmo de adoção de veículos elétricos e novos investimentos na indústria automóvel europeia, dando vantagem a concorrentes internacionais e afetando a liderança tecnológica da Europa.
“Os construtores automóveis europeus comprometeram-se com centenas de milhares de milhões de euros em novos investimentos. O adiamento da meta de 2035 ameaça este ritmo de progresso, assim como a confiança de investidores, cedendo vantagem estratégica a concorrentes fora da Europa, numa altura em que nos países mais avançados da Ásia quase metade dos automóveis novos vendidos são 100% elétricos, acontecendo o mesmo com quase 25% dos camiões de longo curso”, defende.
A ZERO apela aos responsáveis políticos portugueses para assumirem uma posição firme no Conselho e no Parlamento Europeu, defendendo o cumprimento integral da meta de 2035 e uma transição justa para uma mobilidade de zero emissões.
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