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Dinamarca admite prolongar licenças de gás no Mar do Norte para reforçar segurança energética europeia

Governo invoca contexto geopolítico e necessidade de autonomia estratégica da Europa, mantendo a meta de neutralidade carbónica interna em 2045.

25 Fev 2026 - 11:06

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Plataforma petrolifera Tyra no Mar do Nort | Foto: Tom Jervis/Wikimedia

Plataforma petrolifera Tyra no Mar do Nort | Foto: Tom Jervis/Wikimedia

O Governo da Dinamarca vai iniciar um processo para avaliar a possível prorrogação de uma ou mais licenças de extração de petróleo e gás no setor dinamarquês do Mar do Norte até 2050, com o objetivo declarado de reforçar o abastecimento e a independência energética da União Europeia.

“Eu gostaria que a Europa pudesse depender apenas de energia verde. Mas a realidade é diferente, e acredito que é melhor que a Europa obtenha gás da Dinamarca do que de países fora do nosso continente. Esta decisão será discutida com os partidos do Acordo do Mar do Norte, tendo em mente os nossos objetivos climáticos”, afirma o ministro do Clima, Energia e Abastecimento, Lars Aagaard, em comunicado.

A decisão surge num contexto de crescente pressão geopolítica sobre o fornecimento energético europeu, na sequência da guerra na Ucrânia e da redução drástica das importações de gás russo.

Bruxelas tem vindo a substituir esse fornecimento por importações de gás natural liquefeito (GNL), sobretudo provenientes dos Estados Unidos.

Segundo o executivo dinamarquês, a Europa continuará a necessitar de gás natural nas próximas décadas. A Agência Internacional de Energia prevê que o consumo anual da UE diminua de cerca de 330 mil milhões de metros cúbicos em 2023 para aproximadamente 165 mil milhões em 2050, ainda assim um volume significativo.

“A guerra na Ucrânia mostrou que a energia é uma arma nas mãos erradas. Não há alternativa a uma Europa energeticamente independente, que produza a própria energia de que precisa. Se a Dinamarca puder contribuir para o abastecimento energético da Europa, devemos fazê-lo, mesmo que em casa nos tornemos climaticamente neutros em 2045. Por isso, o Governo vai avaliar se faz sentido prolongar uma ou mais licenças — não pelo bem da Dinamarca, mas pelo da Europa”, acrescenta Lars Aagaard.

No que diz respeito ao abastecimento, a Dinamarca contribui com energia verde proveniente de turbinas eólicas e painéis solares, bem como gás do Mar do Norte. O gás provém, entre outros, da plataforma recentemente renovada Tyra, que poderá extrair gás vários anos após 2042, data em que a licença atual expira.

O Acordo do Mar do Norte foi estabelecido em 2020 e inclui, entre outros pontos, a cessação da extração de petróleo e gás na Dinamarca em 2050.

 

 

 

 

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