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Europa sujeita a períodos de seca cada vez mais intensos com consequências na agricultura
França está a registar a pior produção de milho dos últimos 50 anos, ao passo que a Roménia perdeu mais de um milhão de hectares de colheita. Muitos países europeus já implementaram restrições de emergência ou de racionamento de água.
23 Jul 2026 - 12:25
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A Europa está a sofrer secas cada vez mais severas devido ao aumento das temperaturas e às sucessivas ondas de calor, alerta um relatório publicado nesta quinta-feira pela World Weather Attribution (WWA na sigla em inglês).
Estes fenómenos de seca têm vindo a exercer uma forte pressão na agricultura, provocando perdas históricas nas colheitas. França está a registar a pior produção de milho dos últimos 50 anos, ao passo que a Roménia perdeu mais de um milhão de hectares de colheita.
Neste sentido, a WWA alerta que estas perdas, conjugadas com os atuais conflitos internacionais, poderão fazer subir os preços dos alimentos e “afetar de forma desproporcionada os agregados familiares de baixos rendimentos”.
De modo geral, o verão europeu de 2026 tem sido, até ao momento, marcado por calor excecional e por uma seca generalizada. Entre abril e junho, vastas áreas do continente, desde Portugal, no sudoeste da Europa, até à Finlândia, no nordeste, registaram níveis de precipitação abaixo da média.
Em combinação com sucessivas ondas de calor, estas condições intensificaram a seca em toda a Europa, contribuindo para impactos generalizados na agricultura e nos recursos hídricos, níveis invulgarmente baixos dos rios e incêndios florestais de grande dimensão, sobretudo em Espanha e França, onde já arderam, respetivamente, 116 mil e 42 mil hectares, de acordo com a WWA.
Embora a Europa Ocidental tenha registado um início de ano relativamente húmido, os défices de precipitação na Europa Oriental, que se prolongam desde 2025, deram origem a diferentes tipos e fases de seca em todo o continente.
“Com as previsões a indicarem poucas perspetivas de alívio a curto prazo, o verão de 2026 está a afirmar-se como um dos mais significativos episódios de calor e seca registados na Europa nos últimos anos”, afirma o consórcio em comunicado.
Neste contexto, muitos países europeus já implementaram restrições de emergência ou proibições temporárias para utilizações não essenciais de água potável. A WWA alerta ainda que, a nível doméstico, o racionamento da água pode aumentar os encargos e a pressão financeira, sobretudo para as famílias com menores rendimentos.
Em simultâneo, os baixos níveis dos rios estão a perturbar o transporte de mercadorias, enquanto a escassez de água ameaça a produção de energia nas regiões dependentes da hidroeletricidade.
A humidade dos solos é outro dos efeitos é outro dos efeitos das anomalias da precipitação e da evaporação, constituindo um indicador essencial da seca agroecológica. Na região ocidental, as condições registadas entre abril e junho são atualmente estimadas como ocorrendo, em média, uma vez a cada cinco anos.
Já na região oriental, os défices de humidade do solo registados entre janeiro e junho são atualmente esperados, em média, uma vez a cada 15 anos e tornaram-se cerca de 11 vezes mais prováveis devido às alterações climáticas provocadas pela atividade humana.
Por toda a Europa, os impactos da seca estão a ser cada vez mais geridos através de seguros agrícolas, mecanismos de proteção social adaptados a situações de crise e apoios financeiros de emergência, concluiu o relatório.
A União Europeia também reforçou a sua resiliência ao mobilizar fundos da reserva agrícola para apoiar agricultores afetados pela seca relacionada com as alterações climáticas e por outros fenómenos meteorológicos extremos.
No entanto, a WWA alerta que a resposta à seca continua a ser desigual entre os países europeus. Embora a Diretiva-Quadro da Água da União Europeia promova “uma gestão sustentável dos recursos hídricos”, a elaboração de planos de gestão da seca não é obrigatória, resultando em diferentes níveis de preparação entre os Estados-Membros.
“A nível europeu, uma política comum de governação da seca poderá contribuir para reduzir os impactos de futuras secas, em articulação com a Estratégia para a Resiliência da Água”, recomenda o consórcio mundial de Atribuição de Eventos Meteorológicos Extremos.
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