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Fatih Birol: “É impressionante o que aconteceu em Portugal nos últimos 25 anos”

Na conferência dos 25 anos da ADENE, o diretor executivo da AIE destacou “três regras de ouro” para garantir a segurança energética: diversificação, previsibilidade e cooperação internacional. E salientou que Portugal recebe um “A+” neste domínio.

29 Set 2025 - 12:24

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Fatih Birol | Foto: ADENE/Youtube

Fatih Birol | Foto: ADENE/Youtube

Portugal é um exemplo que transição enérgica, salientou Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), nesta segunda-feira, na conferência “25 anos de energia para o futuro”, que decorre em Carcavelos. “É impressionante o que aconteceu em Portugal nos últimos 25 anos”, referiu, destacando que o país é um exemplo do que “pode ser feito”.

Começando por recordar a época do domínio do carvão nos séculos XVIII e XIX e à época do domínio do petróleo e do gás nas últimas décadas, Fatih Birol destacou que, apesar de este domínio se for manter nos próximos anos, “não hesito em dizer que a época da eletricidade está a chegar de forma muito forte”. Acrescentando que “a procura por eletricidade a nível global está a crescer mais depressa do que as anteriores tendências”.

Destacou que este crescimento no consumo de eletricidade está a ser impulsionado por três grandes novos vetores, nomeadamente, pela inteligência artificial (IA)que requer centros de dados com grande capacidade e que estão a “nascer como cogumelos” um pouco por todo o mundo. Salientou, por exemplo, que um ‘data center’ de média capacidade consome a mesma eletricidade que 100 mil habitações. Referiu que países que têm grandes capacidades de eletricidade, como os EUA, China e União Europeia, estão um passo à frente na corrida pelo domínio da IA.

Em segundo lugar apontou o ar condicionado. É “um must” em muitos países, destacando que em países como os EUA e o Japão 90% das casas têm ar condicionado. Mas nos países em desenvolvimento esta taxa não ultrapassa os 20%, sendo um “driver muito forte” na procura futura de eletricidade.

Em terceiro lugar, apontou o aumento da penetração no mercado de carros elétricos. “Há apenas quatro anos, apenas 5% das vendas eram de carros elétricos e neste ano 20% dos carros vendidos são elétricos”, salientou.

Tendo e conta esta procura crescente, Fatih Birol questionou que fontes irão alimentar esta procura e a que preços de eletricidade? “Esta é a questão que devíamos todos colocar”, sublinhou.

Relativamente aos desafios na área da energia, destacou a segurança energética, as alterações climáticas e a pobreza energética. “A segurança energética é tão importante como a segurança económica dos países”, tendo em conta as tensões geopolíticas crescentes, defendeu. Os minerais críticos também mereceram uma palavra do responsável da AIE, destacando que estes são usados também para defesa, IA, chips, drones, e não só em carros, painéis solares ou outros bens de consumo.

Enumerou, por isso, “três regras de ouro” para garantir a segurança energética: diversificação das fontes e dos canais; previsibilidade mesmo com alteração de governos; e cooperação internacional. “Nenhum país é uma ilha isolada no que toca à energia”.

Relativamente a estes três pontos, “Portugal fez um excelente trabalho”, referiu. E salientou que neste domínio “Portugal recebe um A+”, recorrendo a alguns números: há 25 anos, 90% de toda a energia em Portugal vinha de combustíveis fósseis e hoje esse valor é de 50%. Há 25 anos, a percentagem de carvão era de 35% e foi feito em poucos anos um “fase-out”. Há 25 anos, as renováveis representeavam 30% e hoje representam 70% – “este é outro grande feito”. Destacou também a diversificação e fontes do gás natural que chega a Portugal.

A Agência para a Energia assinala nesta segunda-feira 25 anos de atividade com uma conferência dedicada à transição energética. O encontro, organizado em parceria com o Ministério do Ambiente e Energia e sob o Alto Patrocínio do Presidente da República, reúne algumas das figuras mais influentes do setor a nível mundial.

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