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Novo estudo promete revolucionar mapeamento do risco de incêndios florestais em Portugal
Investigação envolve mais de 20 cientistas de cinco centros de investigação e pretende colmatar falhas nos sistemas atuais de avaliação, que ignoram cenários de probabilidade e vulnerabilidade socioeconómica.
22 Jan 2026 - 09:00
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O Impact Center for Climate Change (ICCC) da Fidelidade anunciou nesta quarta-feira que vai elaborar um estudo sobre o risco de incêndios florestais em Portugal que promete revolucionar a forma como o país avalia e gere esta ameaça crescente. O anúncio foi feito durante o encontro anual do centro, realizado no Técnico Innovation Center, em Lisboa, que reuniu especialistas nacionais e internacionais em ação climática.
Coordenado por José Miguel Cardoso Pereira, professor catedrático do Instituto Superior de Agronomia, e por Domingos Xavier Viegas, professor catedrático da Universidade de Coimbra, o projeto parte de uma crítica ao mapeamento estrutural existente: concentra-se essencialmente na perigosidade e falha na integração de cenários probabilísticos e prospetivos sobre clima, uso do solo e padrões de ignição. Além disso, não caracteriza de forma completa os sistemas socioeconómicos expostos ao risco.
A abordagem proposta pretende colmatar essas lacunas através de uma metodologia integrada que considera quatro componentes fundamentais: perigosidade, exposição, vulnerabilidade e curvas de perda. Durante dois anos e meio, duas equipas trabalharão em paralelo, mobilizando cinco centros de investigação e mais de 20 cientistas, com o objetivo de produzir dados de referência com uma resolução espacial de 100 metros por 100 metros – um nível de detalhe sem precedentes no país.
A primeira equipa vai trabalhar a componente de perigo, que inclui simulações do comportamento dos incêndios florestais, análise da relação entre meteorologia e incêndios, e a criação de mapas de risco para diferentes cenários climáticos (RCP4.5 e RCP8.5) nos períodos 2011-2040 e 2041-2070. Estes trabalhos vão gerar simulações de probabilidade e intensidade dos fogos, considerando pela primeira vez diversos cenários de clima, ignições e uso do solo.
Foto: Painel ICCC, Fidelidade
Além disso, o grupo fica responsável com as componentes de exposição e vulnerabilidade, que se focam em mapear os elementos em risco (como edifícios residenciais, atividades económicas, infraestruturas críticas, florestas, agricultura, pastorícia e população) tanto no presente como em cenários futuros. Adicionalmente, será desenvolvido um índice de vulnerabilidade social para populações, bem como uma matriz de vulnerabilidade económica específica para atividades rurais como silvicultura, agricultura e pastorícia, permitindo avaliar quem e o que está mais vulnerável aos incêndios florestais.
De acordo com José Miguel Cardoso Pereira, este projeto inova ao combinar avaliações de vulnerabilidade tanto ao nível dos edifícios individuais como à escala comunitária, criando uma compreensão integrada de como as estruturas residenciais e as comunidades respondem aos incêndios florestais. A abordagem reúne diversas fontes de informação – inquéritos, observações no terreno, dados laboratoriais, análises estatísticas e conhecimento especializado – para produzir funções de vulnerabilidade específicas para habitações portuguesas em alvenaria.
A segunda equipa fica responsável por mapear e comunicar os riscos de incêndios florestais. As tarefas envolvem o mapeamento do risco de perdas em edifícios residenciais e em atividades rurais, tanto para o contexto atual como para oito cenários futuros diferentes. Fica também a cargo deste grupo a componente das perdas, que envolve avaliar, por exemplo os custos associados à reparação de casa ardidas. Dedica-se também à produção de relatórios finais e à disseminação dos resultados do projeto através de artigos científicos, apresentações, workshops, eventos públicos e outras publicações, garantindo que o conhecimento gerado chegue aos diversos intervenientes e à comunidade em geral.
Os coordenadores científicos sublinharam que o desenvolvimento deste estudo é particularmente relevante num contexto em que Portugal está altamente exposto a incêndios rurais, uma vulnerabilidade que será agravada pelas tendências climáticas futuras. Entre os benefícios esperados, o projeto visa apoiar a gestão integrada do risco, o ordenamento do território e a tomada de decisão informada. Para o setor segurador, especificamente, espera-se que contribua para melhorias em ‘underwriting’, tarifação e gestão de risco, ajudando a reduzir o chamado “protection gap”, a diferença entre as perdas económicas totais e as perdas seguradas.
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