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Financiar a PAC com foco no ambiente poderia reduzir emissões e criar 90 mil empregos
Centro Comum de Investigação europeu diz que focar a Política Agrícola Comum (PAC) para 2040 no clima pode diminuir os gases com efeito de estufa, mas a agravar balança comercial europeia em 1,8 mil milhões de euros.
28 Out 2025 - 09:40
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Num cenário em que o financiamento para a Política Agrícola Comum (PAC) para 2040 se concentrasse no ambiente e clima, a União Europeia (UE) conseguiria reduzir em 1,7% as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e em 2% por hectare a poluição por azoto. Além disso, aumentaria a diversidade cultural e criaria 90 mil novos postos de trabalho. Estes resultados foram publicados num estudo do Centro Comum de Investigação europeu (CCI).
A análise “Scenar 2040” assinalou que, por outro lado, a produção agrícola diminuiria 4%, os preços dos alimentos subiriam e as importações aumentariam. Isto significaria, essencialmente, o agravamento da balança comercial do bloco em 1,8 mil milhões de euros.
Já se o foco do financiamento fossem a produtividade e investimento, a produção agrícola na UE verificaria um aumento de 2,7%, os preços dos alimentos seriam mais baixos, o desempenho comercial seria mais forte e a balança comercial melhoraria em 2,7 mil milhões de euros. No entanto, esta abordagem teria um impacto mínimo no emprego, aumentaria as pressões ambientais e poderia levar ao aumento das emissões de GEE em 0,5% e de azoto por hectare em 1,4%.
Mesmo que o cenário centrado no ambiente reduza as emissões agrícolas da UE, isso poderia inadvertidamente aumentar as emissões globais. Ao reduzir a sua própria produção, a UE poderia desviar a procura para regiões do mundo com uma agricultura menos eficiente em termos de carbono – fenómeno conhecido como fuga de carbono -, explica a análise. O cenário centrado na produtividade, embora aumente ligeiramente as emissões da UE, poderia reduzir as globais na totalidade, uma vez que os produtores europeus poderiam substituir os concorrentes menos sustentáveis no estrangeiro.
E se não houver PAC? O CCI ilustra um hipotético cenário: “O rendimento agrícola diminuiria cerca de 11%, com as explorações agrícolas mais pequenas e vulneráveis a enfrentar perdas de até 21%. A produção alimentar global da UE diminuiria 5%, reduzindo a capacidade da UE para satisfazer a procura interna e global. Os preços dos alimentos ao consumidor aumentariam, afetando de forma desproporcional as despesas com alimentação dos agregados familiares mais vulneráveis da UE, enquanto o emprego no setor agroalimentar diminuiria em aproximadamente 250 mil trabalhadores”.
Ou seja, o estudo conclui que a PAC é fundamental para a resiliência económica, coesão social e equilíbrio ambiental nos setores europeus.
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