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Fundação Mendes Gonçalves lança guia com medidas para proteger e regenerar os solos
O guia de boas práticas Proteção e Regeneração do Solo defende que "não existem receitas universais" para regenerar um solo. Segundo a Fundação, a agricultura regenerativa tem vindo a ganhar importância perante desafios como as alterações climáticas.
26 Ago 2026 - 11:42
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Foto: Fundação Mendes Gonçalves
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Foto: Fundação Mendes Gonçalves
A Fundação Mendes Gonçalves lançou um guia de boas práticas para apoiar agricultores e técnicos na proteção e regeneração dos solos, com recomendações adaptadas às características de cada solo, cultura e exploração.
Segundo a Fundação, a agricultura regenerativa tem vindo a ganhar importância perante desafios como as alterações climáticas, a escassez de água e a perda de biodiversidade. A adoção destas práticas deve, por isso, ter em conta as características e limitações de cada solo e exploração, em vez de seguir uma abordagem única.
O guia de boas práticas Proteção e Regeneração do Solo defende que não existem receitas universais para regenerar um solo. Antes de qualquer intervenção, é necessário avaliar dimensões fundamentais da sua saúde dos terrenos, a nível físico, químico e biológico.
A abordagem proposta começa pelo conhecimento e mapeamento do território, segue para a observação no campo e a realização de análises laboratoriais e culmina na definição das práticas mais adequadas a cada realidade.
Desenvolvido no âmbito do programa Regenerar, com o apoio financeiro do projeto Soilscape e enquadrado nos objetivos da Missão Solo do Horizonte Europa, o guia procura “aproximar a investigação científica da prática agrícola e contribuir para decisões adaptadas à realidade de cada solo, cultura e exploração”, lê-se no comunicado.
“A agricultura regenerativa não deve ser encarada como uma receita que se aplica da mesma forma em todo o lado. O primeiro passo é perceber o estado do solo, quais as suas limitações e potencial. Com este guia queremos apoiar a disseminação de conhecimento científico, tornando-o não só mais acessível, mas, sobretudo, mais útil para quem tem de tomar decisões dia a dia no terreno”, afirma Manuel dos Santos, diretor do programa Regenerar da Fundação Mendes Gonçalves.
O guia estrutura as recomendações em torno de seis princípios fundamentais, que passam por compreender o contexto, minimizar a perturbação do solo, fornecer-lhe carbono, mantê-lo coberto, promover a biodiversidade acima e abaixo da superfície e integrar a pecuária.
Estes princípios são desenvolvidos em seis áreas de intervenção, incluindo a intervenção mecânica no solo, as culturas de cobertura, as matérias orgânicas e mulching, a fertilização integrada, a gestão de pragas e doenças e a integração animal. Em cada área são apresentados os fundamentos agronómicos, os benefícios, as estratégias de aplicação e os principais erros a evitar.
Entre as práticas analisadas pelo guia estão, por exemplo, as culturas de cobertura, utilizadas para proteger o solo da erosão, favorecer a infiltração da água e aumentar a biodiversidade, a gestão da matéria orgânica, determinante para a estrutura do solo, a retenção de água e a disponibilidade de nutrientes, ou a fertilização integrada, assente no equilíbrio nutricional e no conhecimento das necessidades efetivas do solo e das culturas.
“Um dos grandes desafios está em conseguir fazer chegar o conhecimento científico a quem trabalha diariamente no terreno, de forma útil e reaplicável. É esse o papel que queremos assumir com o programa Regenerar: criar pontes entre investigação e prática, partilhar conhecimento e contribuir para que agricultores e técnicos tenham cada vez mais ferramentas para tomar decisões informadas e ajustadas ao seu contexto”, acrescenta Manuel dos Santos.
O lançamento do guia insere-se na atuação do programa Regenerar da Fundação Mendes Gonçalves, que procura “aproximar a ciência da prática agrícola, promover a capacitação de agricultores, técnicos, escolas e comunidade e contribuir para a regeneração dos solos e da biodiversidade”.
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