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Genebra acolhe negociações para tratado global contra poluição por plásticos

Em cima da mesa está a possibilidade de se assinar um tratado global juridicamente vinculativo. Sem ação concertada, produção e desperdício de plásticos pode triplicar até 2060

06 Ago 2025 - 13:05

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Foto: Adobe Stock/Monticellllo

Foto: Adobe Stock/Monticellllo

Delegações de quase 180 países reúnem-se no decorrer desta semana na sede da ONU, em Genebra, para dar forma a um tratado internacional juridicamente vinculativo destinado a combater a crescente crise da poluição por plásticos.

Com os olhos do mundo postos nas negociações, as expectativas são elevadas. “O mundo quer e precisa de um tratado sobre os plásticos, porque esta crise está a fugir do controlo e as pessoas estão, com razão, indignadas,” afirma Inger Andersen, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), entidade que lidera as conversações.

Segundo a responsável, a poluição por plásticos já não se limita aos oceanos ou à natureza, pois já se encontra no corpo humano. “Ninguém quer viver rodeado de poluição plástica,” reforça.

O PNUA estima que, sem ação concertada, a produção e o desperdício de plásticos poderão triplicar até 2060, com impactos devastadores para o ambiente e para a saúde humana. Esta realidade levou Katrin Schneeberger, diretora do Gabinete Federal Suíço do Ambiente, a afirmar que estamos perante um desafio global urgente.

“Os resíduos plásticos estão a sufocar os nossos lagos, a prejudicar a vida selvagem e a ameaçar a saúde pública. Isto é mais do que uma questão ambiental, é uma crise sistémica que exige ação coletiva e imediata.”

Segundo a ONU, estas negociações poderão culminar num tratado comparável, em importância, ao Acordo de Paris sobre o clima. A grande ambição é assinar um pacto global que regule todo o ciclo de vida dos plásticos, desde o design e produção até ao consumo, gestão de resíduos e reciclagem. O objetivo é promover uma economia circular que evite a fuga de plásticos para o ambiente.

Porém, não existe, até ao momento, um consenso sobre limites à produção, em parte devido à pressão de países produtores de petróleo e gás natural, matérias-primas fundamentais na produção de plásticos. “Não vamos resolver esta crise apenas com reciclagem. É necessária uma transformação sistémica”, sublinhou Inger Andersen.

 

 

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