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Gigantes chinesas do setor solar apostam nas baterias enquanto a venda de painéis abranda
O abrandamento das exportações e os preços historicamente baixos dos painéis solares estão a pressionar a rentabilidade dos fabricantes chineses no setor solar. Empresas apostam em baterias para dar resposta ao crescimento exponencial das renováveis.
05 Jun 2026 - 12:20
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Foto: Adobe stock/ShStock
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Os maiores fabricantes de painéis solares da China estão a aumentar as exportações de baterias, numa altura em que o crescimento das vendas fotovoltaicas abranda. Em comparação com os painéis solares, as baterias oferecem margens de lucro mais elevadas, para reforçar as receitas das empresas.
A aposta passa por responder à crescente procura global de armazenamento de energia renovável, reduzindo a dependência dos combustíveis fósseis, mostra uma análise realizada pela da Reuters e publicada nesta sexta-feira.
De acordo com a agência noticiosa, a produção de baterias para armazenamento é a nova grande aposta do setor. Fabricantes como a JinkoSolar, a JA Solar, a LONGi Green Energy e a Trina Solar, gigantes solares chinesas, estão a reforçar os investimentos em baterias, um segmento que oferece margens mais elevadas do que a produção de painéis solares.
Além disso, a diminuição do ritmo de vendas de novos sistemas solares na China, o abrandamento das exportações e os preços historicamente baixos dos painéis fotovoltaicos estão a pressionar a rentabilidade dos fabricantes chineses no setor solar. Num contexto em que os executivos do setor preveem uma diminuição ainda mais acentuada da procura global em 2026, as maiores empresas chinesas começam agora a procurar fontes alternativas de crescimento.
A empresa JinkoSolar é um dos exemplos mais visíveis desta estratégia. A empresa prevê aumentar a sua capacidade de fabrico de baterias de 5 GWh para entre 13 e 14 GWh até ao final deste ano. O principal objetivo é dar resposta à crescente procura por sistemas de armazenamento, considerados essenciais para acompanhar o crescimento global das energias renováveis, como a solar e a eólica. “Vemos uma forte confiança por parte da administração da empresa refletida nos investimentos elevados que estamos a realizar”, afirma Titus Koech, responsável técnico regional para sistemas de armazenamento de energia da JinkoSolar, em declarações à Reuters.
Os países com maior penetração de energias renováveis, incluindo o Japão, Vietname, Índia, Alemanha, Países Baixos, Estados Unidos e a Austrália, estão entre os maiores importadores de baterias chinesas em 2025, de acordo com o centro de estudos energéticos Ember, contactado pelo Reuters.
Na empresa chinesa JA Solar, os produtos de armazenamento de energia assumiram o papel principal, marcando uma mudança em relação aos anos anteriores, quando os painéis fotovoltaicos dominavam os investimentos, explica Gloria Gao, diretora de marketing da unidade de armazenamento da empresa.
“Se tiver apenas um negócio de energia solar, a empresa nunca vai crescer porque as margens são muito reduzidas. Foi por isso que iniciámos a nossa atividade no armazenamento de energia: porque antecipamos que esse é o futuro”, afirma Gao à Reuters.
As exportações de painéis solares, que normalmente proporcionam margens superiores às vendas domésticas, cresceram apenas 4,7% em 2025. Este foi o ritmo de crescimento mais lento desde 2018, segundo dados da Ember fornecidos pela Reuters.
Fei Chen, analista da Rystad Energy, afirma que o crescimento entre maio e dezembro deverá ficar aquém do crescimento registado nos primeiros quatro meses do ano. Em contrapartida, a Rystad prevê que as exportações de baterias destinadas ao armazenamento de energia aumentem 30%, atingindo 150 GWh em 2026.
Os fabricantes solares chineses estão a entrar num mercado já dominado por gigantes das baterias como a CATL e a BYD. No entanto, de acordo com a Reuters, acreditam que a experiência na cadeia de abastecimento e a capacidade de oferecer soluções integradas de solar mais armazenamento lhes darão uma vantagem competitiva.
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Por exemplo, na empresa Trina Solar, o armazenamento foi responsável por gerar a “segunda curva de crescimento” da empresa após o negócio fotovoltaico, afirmou um responsável da empresa à Reuters. As expedições de sistemas de armazenamento da empresa mais do que quadruplicaram no primeiro trimestre face ao mesmo período no ano passado, sendo cerca de 90% destinadas à exportação.
“Quando se compra solar e armazenamento, está-se a estabelecer uma relação com estas empresas para os próximos 20 anos”, afirmou Yana Hryshko, responsável pela investigação da cadeia de abastecimento solar da LONGi Green Energy.
Já a CATL, a maior fabricante mundial de baterias, prevê que o armazenamento de energia represente metade das suas vendas globais até 2030, face aos atuais 25%, impulsionado pela necessidade de apoiar a produção intermitente das energias renováveis.
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