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Governo espanhol adere à coligação internacional First Movers
Iniciativa do FEM une empresas e governos na aceleração da descarbonização em setores de difícil transição. Anúncio feito no dia em que Pedro Sanchez concedeu apoio público de 54 milhões para a construção de uma gigafábrica de baterias em Valladolid.
09 Set 2025 - 10:53
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Pedro Sánchez, presidente do Governo de Espanha | Foto: Wikimedia
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Pedro Sánchez, presidente do Governo de Espanha | Foto: Wikimedia
O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, anunciou, nesta segunda-feira, um apoio público de 54 milhões de euros para a construção de uma gigafábrica de baterias em Valladolid. O encontro ficou também marcado pela adesão de Espanha à coligação internacional First Movers, iniciativa lançada pelo Fórum Económico Mundial que junta governos e empresas para acelerar a descarbonização em setores de difícil transição.
Neste momento, nenhuma empresa portuguesa está na lista de membros, onde já se incluem algumas entidades espanholas. Uma delas é a Moeve, pioneira na adesão espanhola em janeiro. O CEO, Maarten Wetselaar, que esteve presente na apresentação de Sanchéz, destacou: “A Espanha está pronta para ser um dos principais impulsionadores dessa transformação. Ela tem tudo a seu favor: recursos, talento e determinação. O motor europeu da transição energética está no sul da Europa, na Península Ibérica”. O BBVA, que é membro do pilar financeiro da First Movers, ao lado de outros bancos internacionais, também já congratulou a entrada do Governo espanhol na coligação.
Para Sánchez, a participação espanhola nesta rede traduz dois princípios fundamentais: a cooperação público-privada e a defesa do multilateralismo em desafios que “não conhecem fronteiras”, como as alterações climáticas.
Investimento em baterias
O investimento em Valladolid, liderado pela empresa Inobat Iberia, ascende a mais de 700 milhões de euros. O projeto deverá criar 260 empregos diretos e 500 indiretos e insere-se na estratégia do executivo para consolidar Espanha como referência europeia na transição ecológica, anunciou Sánchez no evento “Espanha, vanguarda da indústria verde”, na sede do ICEX, em Madrid. “Chegou o momento de passar à ação. É uma questão vital, uma questão de Estado”, afirmou.
Entre as medidas apresentadas está o reforço da chamada compra pública verde, que passará a incluir critérios de sustentabilidade obrigatórios e incentivos à aquisição de bens e serviços com pegada de carbono reduzida ou nula. O Governo quer que o setor público funcione como motor de criação da procura verde por parte da indústria nacional.
O primeiro-ministro espanhol destacou ainda os progressos já alcançados pelo país. Espanha reduziu em 60% as emissões de GEE no setor elétrico nos últimos seis anos e é líder europeia na superfície dedicada à agricultura biológica. “Nunca antes tínhamos crescido sem aumentar as emissões. Esta é a mudança de paradigma”, celebrou, ao recordar que a indústria representa atualmente 15% do PIB nacional, acima de países como a Bélgica, os Países Baixos ou a França.
Outra das mensagens centrais foi a importância da transição energética para reforçar a autonomia estratégica. Segundo Sánchez, graças ao avanço das renováveis, a eletricidade em Espanha é hoje cerca de 30% mais barata do que a média da União Europeia. O governante apresentou ainda a transição ecológica como um dos motores para o “extraordinário desempenho da economia espanhola”, que tem superado as previsões internacionais, com um recorde de 22 milhões de trabalhadores.
“Nem os incêndios deste verão; nem ao Dana que devastou Valência; nem a Filomena que paralisou Madrid, são fruto do acaso ou de obscuras conspirações. As nossas florestas transformaram-se num barril de pólvora, o mar numa panela de pressão e as cidades num forno, por mais que alguns neguem a evidência e outros, incompreensivelmente, se calem. As alterações climáticas matam”, declara o presidente. Acrescenta que, nos últimos cinco anos, já provocaram 20 mil mortes por calor extremo.
Num momento em que o Pacto Verde europeu enfrenta contestação, deixou o apelo: “Oxalá todas as forças políticas ouçam a mensagem com atenção, porque não é apenas o sensato. Atuemos transcendendo legislaturas”, apelou.
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