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Graphenest aposta no grafeno para crescer no mercado de materiais sustentáveis

Sediada no distrito de Aveiro, a empresa desenvolve tecnologia que permite substituir componentes metálicos para aplicação em vários setores. Prepara-se agora para um ‘scale-up’ industrial, com vista a posicionar o país na nova geração de materiais avançados.

27 Abr 2026 - 07:37

4 min leitura

A Graphenest quer afirmar-se como um dos projetos portugueses de nova geração de materiais avançados, ao desenvolver tecnologia própria para produção e aplicação de grafeno em escala industrial. O grafeno é um derivado de grafite que pode ser integrado em materiais tradicionais, como plásticos e revestimentos, conferindo-lhes propriedades de condutividade elétrica e proteção eletromagnética, abrindo desta forma caminho à substituição de componentes metálicos em diversas aplicações e com impacto na sustentabilidade industrial.

Segundo a empresa, em alguns casos, a substituição de metais por soluções com grafeno pode contribuir para reduções significativas de emissões de CO₂ estimadas entre seis a oito vezes face a processos tradicionais.

“A nossa inovação tem sobretudo que ver com a eliminação da utilização de metais. A nossa proposta de valor é exatamente a substituição de metais para a proteção eletromagnética, porque os metais são mais densos, portanto, têm mais peso para o mesmo volume ocupado. Estamos a falar de seis a oito vezes mais e de terem processos mais intensos em termos de energia e recursos”, explica Bruno Figueiredo, co-CEO da Graphenest, ao Jornal PT Green. Acrescentando que “embora haja sempre a pegada de carbono associada à mineração da grafite, a pegada ecológica é muito menor. Portanto, temos o mesmo tipo de proteção eletromagnética, com menor peso e com menor pegada ”.

Aplicações em múltiplos setores industriais

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Bruno Figueiredo, co-CEO da Graphenest

O material pode ser aplicado em diversos setores. No caso da mobilidade elétrica, uma das áreas em que a empresa se está a focar, o grafeno permite reduzir o peso de componentes e aumentar a autonomia dos veículos. Já na área da saúde, este material pode ser uma alternativa a metais como a prata, reduzindo custos e impacto ambiental. E na defesa introduz uma nova abordagem à blindagem eletromagnética, tendo impacto no nível de deteção dos objetivos em que é aplicado.

“Estamos a incorporar grafeno em materiais que tradicionalmente apresentam comportamento isolante. É o caso dos plásticos e dos revestimentos, que passam agora a adquirir propriedades condutoras. Na prática, o que fazemos é transformar materiais que antes não conduziam eletricidade em materiais condutores, através da incorporação de grafeno nas formulações utilizadas na sua produção”, explica Bruno Figueiredo.

Esta inovação tem aplicações em várias áreas, como carcaças e invólucros para equipamentos eletrónicos, que hoje são, em grande parte, metálicos.

Fundada em 2015, a Graphenest desenvolveu um processo próprio e patenteado de produção de grafeno, tendo patentes já atribuídas nos Estados Unidos e Canadá, que permite transformar grafite neste material com propriedades únicas.

Na Europa existem outros produtores de grafeno, mas não com este foco na blindagem eletromagnética, segundo explica. “Por isso, não nos vemos, nem nos consideramos, como meros produtores de grafeno. Somos produtores de tecnologias baseadas em grafeno com aplicação em blindagem e proteção eletromagnética. É assim que nos vemos”, assinala o responsável.

Cut Ethernet/network cable exposing four color-coded twisted pairs (blue, green, orange, brown) with shielding foilA empresa refere que é uma das poucas na Europa com capacidade para produzir grafeno em ambiente industrial inicial e a única em Portugal a fazê-lo. Atualmente, já possui capacidade de produção até uma tonelada. Tendo levantado cerca de três milhões de euros em investimento, prepara-se agora para um ‘scale-up’ industrial que, segundo a mesma, pode posicionar Portugal na nova geração de materiais avançados.

A empresa ainda não dispõe de aplicações comerciais no mercado, encontrando-se em fase de finalização de provas de conceito em várias áreas industriais. Entre estas, destacam-se o setor automóvel, nomeadamente em cablagens com plásticos condutores baseados em grafeno, e os revestimentos para eletrónica, incluindo eletrónica impressa. A tecnologia está também a ser explorada para substituir carcaças metálicas de unidades de controlo eletrónico em veículos. No setor da saúde, estão também a ser desenvolvidas soluções que substituem metais como a prata por grafeno para conferir condutividade, com aplicações em adesivos médicos, como os utilizados em eletrocardiogramas.

A empresa está a preparar um plano de expansão para os próximos dois anos. A meta passa por aumentar a produção de uma para 50 toneladas anuais até ao final de 2028, com o crescimento da equipa para cerca de 50 pessoas. O arranque desta escalada produtiva deverá acontecer ainda em 2026.

 

 

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