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Arlindo Oliveira: “O mais importante é aprender a saber pensar”
A IA está já a mudar a forma de aprender e de ensinar nas universidades portuguesas
20 Abr 2026 - 16:00
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Arlindo de Oliveira no Técnico Innovation Center
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Arlindo de Oliveira no Técnico Innovation Center
Perante uma audiência atenta, reunida no Técnico Innovation Center, no âmbito de um encontro organizado pela Fundação Santander, Arlindo Oliveira recordou o quanto a humanidade tem sido mal sucedida a prever o futuro e os efeitos sociais de avanços tecnológicos. Evocou o exemplo de um antigo alto quadro da IBM, que antecipara o funcionamento futuro apenas com três computadores, mas também a ideia de que se demoraria anos a conseguir finalizar a bomba atómica, ou mesmo a vulgarização acelerada do automóvel, avanços tecnológicos que mudaram o mundo de forma inimaginável.
“Pode ser que, por estes dias, a Educação de 2050 nos seja mesmo inconcebível”. Na opinião do Presidente do INESC, que tem também tido relevante experiência de gestão, é preciso cautela com a antecipação dos impactos da IA na formação e no emprego, até porque os modelos de linguagem, sistemas de inteligência artificial capazes de compreender e gerar texto em linguagem natural a partir de grandes volumes de dados, estão a evoluir muito rapidamente e em grande complexidade. Os modelos superaram já a mera repetição, não são mais os papagaios estocásticos descritos por Emily M. Bender no famoso artigo científico de 2021, “On the Dangers of Stochastic Parrots: Can Language Models Be Too Big?”.
Em paralelo, a missão do Professor reinventa-se. “No departamento a que pertenço, no Instituto Superior Técnico, discutimos muito sobre o que devemos ensinar. Temos percebido que o mais importante é aprender a saber pensar. Será inevitável alterar a maneira como ensinamos, as aulas expositivas não fazem mais sentido. O nosso maior objetivo é o de estimular a curiosidade, o interesse pelas matérias e o fascínio de aprender. Como é que isso se faz? Não é trivial”.
Arlindo Oliveira reconheceu que as teses de mestrado são hoje “incomparavelmente melhores” do que há 3 anos atrás. Eram escritas num inglês muito mau que hoje é mais correto, tornando a sua leitura mais aprazível, as teses são mais densas e aprofundadas. “Mas será que os autores percebem o que está ali?”, interroga-se.
Não superando a capacidade de leitura de documentos da IA, temos a flexibilidade como vantagem. “A questão é o que vale a pena aprender? O que devo aprender à prova de Futuro? Talvez a Arte, a Enfermagem, não sabemos. E que consequências deste acesso quase gratuito a uma Inteligência poderá advir para a sociedade? Não tenho resposta, não sabemos quais são as profissões do futuro, aquelas que não serão substituídas por IA”. Admitindo que os estudos de emprego qualificado não têm sido esclarecedores, Arlindo Oliveira sinalizou impactos no mundo laboral. “Será que as empresas vão precisar de menos estagiários e de mais séniores?”. As hipóteses estão em aberto. “E ainda pode acontecer que a sociedade se revolte contra a tecnologia, senão globalmente talvez em alguns Estados ou territórios, como está previsto num dos quatro cenários traçados pela The Long Game para o projeto Horizontes da Educação. Pode ser que se dê uma desaceleração e o mundo em 2050 seja semelhante ao que hoje conhecemos”.
O investigador, autor e docente não terminou sem deixar uma palavra de incentivo aos estudantes presentes na sala. “Sejam curiosos e não deixem que os modelos de linguagem impeçam o prazer de aprender uma coisa nova”.
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