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Incêndios florestais libertam 21% mais poluentes do que o estimado
Emissões globais rivalizam com a poluição humana e agravam a qualidade do ar muito depois de as chamas se extinguirem, avança um novo estudo da Sociedade Americana de Química.
31 Jan 2026 - 14:47
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Os incêndios florestais libertam para a atmosfera cerca de 21% mais poluentes do que se estimava anteriormente, sobretudo compostos orgânicos que se transformam em partículas finas perigosas para a saúde humana.
Segundo um novo estudo científico da Sociedade Americana de Química e publicado na revista Environmental Science & Technology, isto ajuda a explicar porque a poluição pode persistir no ar muito tempo depois de as chamas se apagarem.
Segundo os investigadores, muitos dos gases libertados pelos incêndios, incluindo compostos orgânicos intermédios e semi-voláteis, foram ignorados em análises anteriores, apesar de contribuírem para a formação de partículas finas perigosas para a saúde.
A investigação sublinha que estes compostos contribuem de forma significativa para a degradação da qualidade do ar, inclusive em regiões já fortemente afetadas por emissões de origem humana. Quando inaladas, as partículas finas resultantes estão associadas ao aumento da poluição atmosférica e ao agravamento de doenças respiratórias.
Ao comparar as emissões provenientes de incêndios florestais com as causadas por atividades humanas, os investigadores concluíram que, embora as fontes humanas continuem a dominar o total de poluição atmosférica, os incêndios libertam quantidades semelhantes destes compostos específicos. Em várias regiões do mundo, como a Ásia Equatorial, o Norte de África e o Sudeste Asiático, as emissões dos incêndios sobrepõem-se às de origem humana, criando cenários particularmente complexos para a gestão da qualidade do ar.
Os autores do estudo sublinham que estes novos dados são fundamentais para melhorar os modelos de previsão da qualidade do ar, avaliar riscos para a saúde pública e apoiar políticas ambientais e climáticas mais eficazes.
Incêndios aumentam na Europa
Embora a investigação tenha um alcance global, os resultados são relevantes para todos os países afetados por incêndios florestais, incluindo no sul da Europa, onde estes fenómenos têm vindo a intensificar-se nos últimos anos.
Recorde-se que um relatório recente do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) destaca que, em 2025, a União Europeia ultrapassou a marca de mais de 1 milhão de hectares queimados, um recorde desde que há registos.
Grande parte da área ardida concentrou-se na Península Ibérica, com Espanha e Portugal entre os países mais afetados e a contribuir com uma grande fatia para a devastação total.
O EFFIS sublinha que as épocas de fogo estão a tornar-se mais longas e que as ondas de calor, mais frequentes e intensas, criam condições propícias para incêndios maiores e mais difíceis de controlar. Os especialistas defendem uma mudança de estratégia que passa por menos foco exclusivo na supressão e mais investimento em prevenção, gestão de paisagem e soluções baseadas na natureza.
Também recentemente os incêndios florestais foram apontados por empresas do PSI como o maior risco climático.
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