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Incêndios na Amazónia libertaram emissões de CO₂ equivalentes às emissões anuais da Alemanha
Estudo europeu revela que a floresta tropical perdeu, em 2024, uma área superior à da Bélgica, numa época agravada pela seca extrema e pela gestão insustentável.
08 Out 2025 - 14:08
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Os incêndios que devastaram a Amazónia em 2024 foram responsáveis pela libertação de emissões de CO₂ recorde para a atmosfera, conclui um novo estudo do Centro Comum de Investigação (JRC) da União Europeia.
Foi a época de incêndios mais devastadora da região em mais de duas décadas, libertando cerca de 791 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂), o equivalente às emissões anuais da Alemanha, revela a análise agora divulgada.
Foram 3,3 milhões de hectares de floresta consumidos pelas chamas, o equivalente a uma área superior à da Bélgica, representando 0,7% da floresta amazónica intacta. É a maior extensão de floresta atingida por fogo desde 2021 e nove vezes superior à média registada nas últimas duas décadas.
Os cientistas apontam uma combinação explosiva de fatores: seca extrema causada pelo aquecimento global, fragmentação da floresta e práticas agrícolas insustentáveis que agravam a degradação ecológica. O resultado é um alerta dramático sobre a vulnerabilidade crescente do “pulmão do planeta”, mesmo com a redução recente da desflorestação.
“A floresta amazónica está a aproximar-se perigosamente de um ponto de não retorno”, alertam os autores do estudo.
A maioria dos incêndios ocorreu no Brasil (50%) e na Bolívia (42%), mas também afetaram a Venezuela e o Peru. Na Bolívia, mais de 9% da floresta intacta desapareceu
O estudo denuncia ainda uma forma “invisível” de destruição: a degradação florestal provocada pelo fogo, que reduz a biomassa e o papel ecológico das árvores sem as derrubar completamente. Estas áreas degradadas continuam a parecer intactas nas imagens de satélite e escapam muitas vezes às estatísticas oficiais, sustentam os analistas.
O trabalho realizado pelos cientistas do JRC faz parte de uma cooperação mais ampla entre a UE e os países da América Latina no âmbito do programa Amazonia+ da UE e constitui uma contribuição para os esforços da UE na luta contra as alterações climáticas, incluindo o desenvolvimento de métodos para comparar a monitorização dos recursos florestais e das emissões de carbono a nível global.
O JRC espera que estes resultados possam ajudar as autoridades nacionais da região a melhorar as capacidades para prevenir, reduzir e gerir os incêndios florestais numa perspetiva regional, com base nas melhores práticas da UE.
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