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Inovação rural ganha terreno na Europa

Joint Research Centre revela que algumas regiões rurais superam a média europeia em investimento em I&D e patentes, reforçando o potencial dos territórios de baixa densidade para a transição sustentável.

16 Mar 2026 - 16:00

3 min leitura

Foto: Freepik

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A inovação continua fortemente concentrada nas grandes cidades europeias, mas novos dados da Comissão Europeia (CE) mostram que o mundo rural está longe de ser apenas um espaço periférico no mapa da economia. Um estudo recente do Joint Research Centre (JRC) revela que várias regiões rurais da União Europeia (UE) conseguem alcançar, e por vezes superar, os níveis médios de investimento em investigação e desenvolvimento (I&D) e de atividade inovadora.

A análise utiliza novas métricas territoriais detalhadas sobre investimento em I&D, patentes, marcas e desenhos industriais, oferecendo uma visão mais fina da geografia da inovação na Europa. Apesar de os centros urbanos continuarem a liderar a produção de conhecimento e tecnologia, os dados mostram que existem “bolsas de excelência” em territórios rurais capazes de competir com regiões metropolitanas.

Entre os exemplos citados no estudo estão regiões da Alemanha, Áustria ou França, onde o investimento em investigação ultrapassa 3% do PIB, níveis comparáveis aos de algumas das economias mais intensivas em conhecimento da Europa. O estudo não destaca nenhuma região em Portugal.

Em 2022, as regiões da União Europeia investiram cerca de 313,6 mil milhões de euros em I&D, o equivalente a 2,2% do PIB europeu. As regiões urbanas concentram a maior parte desse esforço, investindo em média 2,4% do PIB em investigação e desenvolvimento e representando mais de metade da despesa total europeia.

Nas regiões rurais, o investimento médio é mais baixo, situando-se em 1,6% do PIB. Ainda assim, mais de 20% das regiões rurais superam a média europeia de intensidade em I&D, demonstrando que a inovação não é exclusiva dos grandes centros urbanos.

A atividade de patenteamento confirma o predomínio urbano. Em média, as regiões urbanas registam mais de 500 pedidos de patentes por 100 mil habitantes, enquanto as regiões rurais apresentam cerca de 180 pedidos.

No entanto, algumas regiões rurais destacam-se claramente. O caso mais expressivo é o de Hildburghausen, na Alemanha, que apresenta cerca de 3.300 pedidos de patentes por 100 mil habitantes, tornando-se a região rural mais inovadora da Europa neste indicador.

O estudo evidencia também que algumas regiões rurais na Finlândia, Alemanha, Áustria e Países Baixos conseguem atingir níveis de patenteamento superiores à média das regiões urbanas europeias.

Implicações para a transição sustentável

Para os investigadores do JRC, os resultados reforçam a necessidade de políticas territoriais diferenciadas, capazes de reconhecer a diversidade dos ecossistemas regionais de inovação. A criação de métricas territoriais mais granulares permite identificar com maior precisão onde estão os polos de inovação e quais as regiões com potencial ainda por explorar.

Esta abordagem pode ter particular relevância para a transição verde, uma vez que muitos dos setores estratégicos, como bioeconomia, energia renovável, agricultura sustentável ou gestão de recursos naturais, têm forte ligação aos territórios rurais, sustentam os analistas.

Os resultados sugerem também que o futuro da competitividade europeia poderá depender cada vez mais de uma integração entre inovação urbana e rural, combinando centros de investigação com territórios que oferecem recursos naturais, especialização industrial e novas oportunidades empresariais.

 

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