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Instalações solares em África crescem 45% em 2026 para recorde de 17 GW

Três quartos do crescimento deverão vir da energia solar distribuída. Cerca de 94% dos painéis solares instalados em África são importados da China.

02 Set 2026 - 13:40

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Foto: Freepik

Foto: Freepik

África está a acelerar na instalação de energia fotovoltaica, com o apoio da China que fornece a esmagadora maioria dos painéis solares. Uma nova análise do ‘think tank’ de energia, Ember, em colaboração com o African Tech Futures Lab, indica que as instalações de energia solar em África deverão crescer 45% em 2026, para um recorde de 17 GW. Indica também que 36 dos 54 países deste continente vão atingir volumes recorde, além de que novos mercados vão ganhar peso no desenvolvimento da energia fotovoltaica.

O estudo mostra ainda que 19 países registaram um crescimento homólogo superior a 100%, destacando-se 544% na República Democrática do Congo (RDC), 282% no Zimbabué e 176% no Egito. A África do Sul, que no passado era responsável por mais de metade das importações de painéis solares do continente, deverá representar menos de um quinto das instalações em 2026, à medida que o crescimento se estende a novos mercados.

“É incrível ver tantas empresas e particulares, em tantos países africanos, a optarem pela instalação de energia solar. Os painéis solares tornaram-se tão baratos que a sua utilização é economicamente muito atrativa”, afirma Dave Jones, analista-chefe da Ember. Porém, salienta que grande parte deste crescimento “permanece invisível”, sugerindo que “os governos nacionais precisam de melhorar a recolha de dados sobre energia solar”.

Nova metodologia permite estimar instalações

A nova metodologia utilizada na análise acompanha os dados das exportações das alfândegas chinesas até ao nível de cada país e aplica depois uma taxa de instalação calibrada com base nos padrões observados na União Europeia e em cinco outros mercados, onde cerca de 73% dos painéis exportados são normalmente instalados no prazo de seis meses, explica a Ember.

Assim, como os dados das exportações chinesas já estão disponíveis até junho de 2026, esta nova metodologia permite estimar as instalações solares em África para a totalidade do ano, vários meses antes de estarem disponíveis os dados oficiais.

A nova capacidade solar instalada apenas em 2026 deverá produzir cerca de 23 TWh de eletricidade por ano, o suficiente para cobrir o crescimento médio anual da procura de eletricidade em África registado na última década. Em mais de metade dos 54 países africanos, o aumento da produção solar deverá superar o ritmo histórico de crescimento da procura de eletricidade.

Segundo a Ember, dez países, com uma população conjunta de 190 milhões de pessoas, deverão ver a nova capacidade solar instalada em 2026 aumentar em mais de 10% a sua produção anual de eletricidade: Serra Leoa (97%), Togo (24%), Somália (21%), Djibuti (21%), RDC (14%), Comores (14%), Namíbia (12%), Libéria (12%), Chade (11%) e Lesoto (10%).

“Em toda a África, os recursos energéticos distribuídos estão a expandir-se rapidamente e, em muitos casos, a ultrapassar a capacidade da rede elétrica. Esta transição é caótica e disruptiva e está muito longe do modelo ordenado previsto nas estratégias nacionais. Os decisores políticos precisam de começar a responder a esta mudança”, alerta, por sua vez, Joel Nana, diretor de Investigação do African Tech Futures Lab.

A produção de painéis solares em África deverá também quadruplicar em 2026, atingindo cerca de 3,5 GW, com a entrada em funcionamento de novas fábricas no Egito e na Tanzânia.

No entanto, a maior parte desta produção destina-se à exportação para os Estados Unidos, enquanto 94% dos painéis instalados em África continuam a ser importados da China. Os dados sobre a produção também são limitados, existindo pouca informação disponibilizada quer pelos governos quer publicamente por outras entidades.

 

 

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