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Presidente da APA diz que “Volta” teve adesão significativa até agosto, mas admite “desafios a superar”
De acordo com José Pimenta Machado, já foram recolhidas através do SDR 242,6 milhões de embalagens. No entanto, o presidente da APA assume dificuldades em várias áreas, como no retalho e setor HORECA e na recolha informal.
02 Set 2026 - 15:01
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Presidente da APA, José Pimenta Machado | Foto: LinkedIn
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Presidente da APA, José Pimenta Machado | Foto: LinkedIn
O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), responsável pelo “Volta”, recolheu 242,6 milhões de embalagens entre o seu arranque, a 10 de abril, e o dia 23 de Agosto, segundo dados partilhados nesta quarta-feira por José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
De acordo com a nota publicada na sua página de Linkedin, José Pimenta Machado considera que “os primeiros resultados mostram uma adesão muito significativa” ao sistema de recolha por parte dos portugueses, ainda que admita falhas por superar na implementação do sistema .
Até à última semana de agosto, foram realizadas 16,6 milhões de transações e criada uma rede com 4 081 pontos de recolha. Em meados de mês, a recolha diária somava mais de 5 milhões de embalagens, segundo o presidente da APA.
Com estes dados, sublinha que o desempenho estimado do sistema se situa já nos 38%, “muito próximo da meta de 39% definida para 2026, quando ainda faltam cerca de quatro meses para terminar o ano”.
No entanto, na mesma publicação, José Pimenta Machado relembra que o SDR existe como um complemento ao Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) e não para o substituir.
“Importa enquadrar estes resultados. O SIGRE continua a ser o modelo base de recolha seletiva de embalagens em Portugal, com uma rede consolidada e um desempenho que tem vindo a crescer. O SDR não substitui o SIGRE: complementa-o, criando um circuito específico, rastreável e com depósito reembolsável para garrafas e latas”, lê-se na publicação.
Com o arranque do SDR, as quantidades de embalagens recolhidas apresentaram um aumento de cerca de 27% face a 2025. Assim, o fluxo abrangido pelo SDR representa cerca de 16% das embalagens de plástico e metal declaradas ao SIGRE em 2024.
O presidente da APA chama ainda à atenção para a dimensão económica associada ao SDR: “Portugal pagou cerca de 200 milhões de euros no último ano devido ao plástico que não foi reciclado e cerca de 600 milhões de euros nos últimos três anos. São valores muito significativos, que traduzem também o custo do incumprimento das metas de gestão de resíduos e mostram que reciclar mais e melhor é simultaneamente uma necessidade ambiental e económica”, considera.
Ainda assim, Pimenta Machado reconhece “desafios a superar” no atual funcionamento, em áreas como adaptação dos consumidores, retalho e HORECA, transição entre sistemas, integração informática e rastreabilidade. No mesmo sentido, refere ainda o reforço da proximidade da rede e a necessidade de continuar a esclarecer regras e procedimentos.
Relativamente às situações de “recolha informal” e embalagens com depósito, nomeadamente em contentores e papeleiras, considera que este “é um fenómeno igualmente observado nas fases iniciais de sistemas semelhantes noutros países europeus e que exige reforço da rede de devolução, adaptação do espaço público, sensibilização e articulação com os municípios”.
A nível da União Europeia, o presidente da APA destaca ainda que Portugal foi o 19º Estado-Membro a implementar um SDR. A meta europeia prevê 90% de recolha seletiva até 2029, sendo que vários países, com sistemas já consolidados, alcançam agora taxas superiores a 90%.
“O caminho passa por dois sistemas que se complementam: um SIGRE forte, que continua a ser a base da recolha seletiva nacional, e um SDR inovador, que ajuda a acelerar o cumprimento das metas europeias”, conclui José Pimenta Machado.
Relembre-se que, nesta terça-feira, em Bruxelas, a ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, também admitiu problemas na implementação do Sistema Volta, nomeadamente devido à deposição de embalagens na via pública.
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